Soja acumula seis quedas seguidas em Chicago com clima favorável nos EUA

Contratos futuros da oleaginosa operam sem direção definida na CBOT nesta sexta-feira (31), pressionados pela melhora do tempo no Meio-Oeste americano.

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Os contratos futuros da soja encerraram a semana sem fôlego na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta sexta-feira (31), acumulando o sexto pregão consecutivo de desvalorização após sinais de melhora climática nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. As cotações oscilaram em campo misto ao longo do dia, sem força suficiente para romper a pressão vendedora que vem dominando o mercado desde o início da semana — um cenário que preocupa produtores sul-mato-grossenses que usam Chicago como referência para negociar os grãos da próxima safra.

O recuo reflete uma combinação de fatores técnicos e climáticos. Na quinta-feira, o farelo de soja registrou queda de 1,2%, atingindo a mínima em três semanas, enquanto o óleo de soja recuou para perto do piso de quatro semanas. Essa deterioração nos subprodutos arrastou também os contratos do grão inteiro, levando especuladores a reduzirem suas posições compradas — movimento que amplificou a pressão baixista sobre as cotações.

Chuvas no Meio-Oeste americano tiram prêmio de risco do mercado

O principal elemento por trás da sequência de baixas é a perspectiva de alívio hídrico nas lavouras norte-americanas. Previsões meteorológicas apontam para chuvas e temperaturas mais amenas em grande parte do Meio-Oeste dos EUA justamente antes da chamada fase crítica de formação e enchimento das vagens, esperada para agosto. "A soja continua sob pressão devido às condições climáticas desfavoráveis e à erosão dos gráficos, o que levou os especuladores a reduzirem uma grande posição comprada líquida. A previsão é de alívio com chuvas e temperaturas mais amenas em grande parte do Meio-Oeste americano, pouco antes da fase crítica de formação e enchimento das vagens em agosto, aumentando as perspectivas de uma produtividade média nos EUA próxima à previsão atual do USDA de 53 bushels por acre", explicou Bruce Blythe, analista do Farm Futures. Com o estresse hídrico cedendo, o mercado desconta parte do prêmio de risco que havia sido incorporado às cotações nas semanas anteriores, quando a estiagem nos estados do Corn Belt gerava apreensão.

No fechamento do pregão desta sexta, o vencimento agosto/26 era cotado a US$ 11,77 por bushel, com leve alta de 0,25 ponto. Já os contratos mais longos apresentavam recuos: setembro/26 a US$ 11,71 (queda de 0,50 ponto), novembro/26 a US$ 11,88 (baixa de 0,25 ponto) e janeiro/27 a US$ 12,02 (retração de 0,75 ponto). O padrão das cotações revela um mercado em compasso de espera, sem catalisadores suficientes para definir uma tendência clara.

China sustenta demanda e evita queda mais acentuada dos preços

Se o clima age como vetor de pressão baixista, é a demanda chinesa que impede um recuo mais pronunciado. Na semana encerrada em 23 de julho, as vendas líquidas de soja norte-americana da nova safra para o exterior somaram 1,333 milhão de toneladas — volume que, embora represente uma queda de 13% em relação à semana anterior, ficou acima do teto das expectativas do mercado. A China liderou as aquisições, com 519 mil toneladas, seguida por destinos não identificados, com 372 mil toneladas. As compras da safra velha também surpreenderam positivamente, totalizando 302,3 mil toneladas. "A China continua a adquirir grandes quantidades de soja da nova safra. As vendas líquidas da nova safra superaram o limite superior das expectativas", destacou Blythe. Esse ritmo de compras pelo maior importador mundial do grão funciona como um piso para as cotações, já que qualquer aceleração adicional da demanda chinesa pode reverter rapidamente o movimento vendedor.

O que o produtor de Mato Grosso do Sul deve monitorar

Para os agricultores sul-mato-grossenses, que estão em pleno período de planejamento da safra 2025/26, o comportamento das cotações em Chicago nas próximas semanas será determinante para as decisões de comercialização antecipada. Mato Grosso do Sul figura entre os maiores estados exportadores de soja do Brasil, e qualquer movimento mais expressivo no mercado internacional — para cima ou para baixo — tem reflexo direto na receita das fazendas do estado. A janela de agosto, quando as lavouras norte-americanas entram na fase mais sensível ao clima, tende a ser de alta volatilidade: se as chuvas previstas não se confirmarem, o prêmio de risco pode retornar rapidamente às cotações, abrindo oportunidades de venda a preços melhores. Do contrário, a safra dos EUA com produtividade próxima às 53 bu/acre projetadas pelo USDA manteria a pressão sobre os preços por mais tempo.

O mercado segue, portanto, em compasso de espera. A próxima semana será crucial para definir se a melhora climática nos Estados Unidos se consolida — o que pressionaria ainda mais as cotações — ou se alguma adversidade climática ou novo impulso de compras pela China devolve força ao mercado altista. Quem acompanha o agronegócio em Mato Grosso do Sul sabe que, neste momento do ano, cada boletim meteorológico do Meio-Oeste americano pesa tanto quanto qualquer relatório de oferta e demanda.

Fontes: CBOT, FARM FUTURES, USDA