Previsão de chuvas nos EUA derruba expectativas e soja fecha semana sem força em Chicago

Alívio climático no Cinturão do Milho americano pressiona cotações futuras da soja na CBOT e leva fundos a liquidar posições compradas.

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A última sessão de julho na Bolsa de Chicago (CBOT) fechou a semana sem direção definida para a soja, com os contratos futuros oscilando em campo misto e próximos da estabilidade nesta sexta-feira (31). O principal vetor de pressão veio do clima: a chegada de chuvas e temperaturas mais amenas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos reduziu o apetite dos investidores por posições compradas no grão, derrubando o entusiasmo que havia sustentado parte da volatilidade ao longo da semana.

Para os produtores de Mato Grosso do Sul — estado que figura entre os maiores exportadores de soja do Brasil —, o comportamento do mercado internacional neste final de mês é um sinal de atenção. Com a safra 2025/26 ainda em fase de planejamento e os preços internacionais como referência central na formação de receitas, qualquer movimento nas cotações de Chicago repercute diretamente nas negociações realizadas nos portos brasileiros e nos contratos firmados no campo.

Contratos futuros operam sem consenso entre alta e queda

No início da manhã desta sexta, por volta das 7h26 (horário de Brasília), os vencimentos mais negociados mostravam divergência entre si. O contrato de agosto/2026 era cotado a US$ 11,78 por bushel, com leve alta de 1,25 ponto. Já os demais vencimentos recuavam: setembro/2026 a US$ 11,71 (queda de 1,25 ponto), novembro/2026 a US$ 11,87 (baixa de 1 ponto) e janeiro/2027 a US$ 12,02 (recuo de 1,25 ponto). O quadro reflete um mercado em compasso de espera, sem catalisadores suficientes para romper a faixa de preços em que a soja vem operando.

A analista Havy Nguyen, do portal especializado Farm Futures, aponta a meteorologia como o fator decisivo da sessão. "Chuvas oportunas e temperaturas mais amenas em importantes estados produtores, como Iowa, Minnesota, Illinois, Nebraska e Dakota do Sul, podem impulsionar o desenvolvimento das safras em agosto", afirmou Nguyen. Para ela, essa perspectiva favorável ofusca inclusive a piora nas avaliações semanais divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontou queda nas condições boas a excelentes das lavouras — de 66% para 63% — com crescimento das áreas classificadas como ruins a muito ruins.

Fundos vendem contratos em movimento técnico de realização

Diante do cenário climático mais favorável, os grandes fundos de investimento aproveitaram a semana para liquidar posições. Segundo Nguyen, na última quarta-feira os fundos venderam um total líquido de 18.000 contratos futuros de soja, além de 5.000 contratos de farelo e 7.000 contratos de óleo de soja. Esse movimento de saída é típico quando o mercado percebe que os riscos climáticos — que sustentavam parte do prêmio de risco no preço — estão se dissipando.

A analista reforça que a expectativa agora se volta para a produtividade média americana. "A melhora na previsão de chuvas reforça as expectativas do mercado de que a produtividade média nacional possa atingir ou superar a previsão da linha de tendência do USDA de 53 bushels por acre", explicou. Se confirmada, uma safra americana robusta aumenta a oferta global do grão — o que, em geral, pressiona os preços para baixo e reduz a competitividade das exportações brasileiras no mercado internacional.

O que o cenário externo significa para o produtor sul-mato-grossense

Mato Grosso do Sul colheu na safra 2024/25 cerca de 11 milhões de toneladas de soja, consolidando-se como um dos protagonistas do agronegócio nacional. Com o início das negociações para a próxima temporada, o comportamento do câmbio e das cotações em Chicago são parâmetros centrais para a rentabilidade das propriedades rurais no estado. Um cenário de preços internacionais pressionados pela boa safra americana exige maior atenção dos produtores ao gerenciamento de custos e à estratégia de comercialização.

O mercado encerra julho sem uma tendência clara para a soja. As próximas semanas devem ser determinantes: se o clima americano confirmar as previsões favoráveis, a pressão sobre os preços tende a se intensificar. Em contrapartida, qualquer frustração climática ou sinal de aquecimento na demanda chinesa — principal destino da soja brasileira — pode reverter o cenário rapidamente. Para o produtor de MS, acompanhar esses movimentos de perto segue sendo parte essencial do planejamento da safra.

Fontes: CBOT, USDA, FARM FUTURES