Sanidade de sementes e barreiras no comércio global entram em pauta no CBSementes 2026
Simpósio de Patologia de Sementes reúne especialistas nacionais e internacionais em 27 de agosto para debater regulamentação, rastreabilidade e tratamento fitossanitário.
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O XVII Simpósio de Patologia de Sementes vai concentrar, no dia 27 de agosto de 2026, uma das discussões mais estratégicas do setor sementeiro brasileiro: como garantir a qualidade fitossanitária das sementes diante das exigências crescentes do comércio internacional e dos desafios internos de detecção e controle de patógenos. O evento integra o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), que ocorre entre os dias 25 e 28 de agosto, e terá abertura conduzida por representantes da CEBTECAGRO/COPASEM, CLC Agrocapacitação e Embrapa Soja.
A escolha do tema — "Qualidade Fitossanitária de Sementes: Regulamentação, Rastreabilidade e Aplicações como Pilar Estratégico na Produção Agrícola" — reflete uma preocupação crescente no agronegócio: barreiras fitossanitárias têm travado exportações e gerado prejuízos à cadeia produtiva, tornando a qualidade das sementes uma questão não apenas técnica, mas também comercial e diplomática. Para Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores produtores de soja e milho do país, o debate tem impacto direto sobre competitividade e acesso a mercados externos.
Panorama mundial e os gargalos do comércio de sementesA primeira mesa redonda do simpósio, programada para as 8h45, terá uma perspectiva essencialmente global. Gianfranco Romanazzi, da Marche Polytechnic University e presidente da Associação Italiana de Proteção de Plantas (AIPP), apresentará o panorama mundial da sanidade de sementes — um diagnóstico que envolve desde fungos e bactérias emergentes até o impacto das mudanças climáticas sobre a incidência de patógenos.
Na sequência, Rose Souza Richards, gerente de Sanidade Vegetal da International Seed Federation (ISF), abordará diretamente as implicações da sanidade no comércio internacional de sementes. O tema é sensível: países importadores têm endurecido protocolos de inspeção, e lotes reprovados por questões fitossanitárias representam perdas financeiras significativas para exportadores brasileiros. A mesa será moderada por José da Cruz Machado, da UFLA, e Ronaldo Troncha, da ABRASEM.
Detecção de patógenos, normas do MAPA e o papel dos laboratóriosNo bloco da manhã, após coffee break e visita ao Showroom Tecnológico, a atenção se voltará para os desafios operacionais e regulatórios dentro do próprio Brasil. Daiana Bampi, da ESALQ, discutirá as dificuldades técnicas na identificação de patógenos em sementes — um campo que avança com novas metodologias moleculares, mas ainda enfrenta limitações de infraestrutura em muitos laboratórios do país.
Regina Sartori e Fabrício Pedrotti, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), apresentarão as normas de credenciamento de laboratórios de análise sanitária, enquanto Isabela Mendes Carvalho, também do MAPA, trará a visão oficial do ministério sobre o tema. A estrutura regulatória nacional é um ponto crítico: sem laboratórios credenciados e distribuídos regionalmente, estados produtores como MS ficam dependentes de análises centralizadas, o que retarda processos e eleva custos.
Tratamento biológico, podridão de soja e inovação na cadeia sementeiraO período da tarde reserva espaço para dois temas que preocupam diretamente os produtores de soja do Centro-Oeste. Meyriele Pires de Camargo, da Fundação MT, apresentará os avanços e as lacunas de pesquisa sobre o complexo de podridão de vagens e grãos de soja — problema que tem causado perdas expressivas em safras recentes no Mato Grosso do Sul e nos estados vizinhos, especialmente em condições de alta umidade na colheita.
Já Jaqueline Huzar, da Volvere Biotech, encerrará esse bloco discutindo o futuro do tratamento biológico sanitário de sementes — alternativa que cresce em adoção por reduzir a dependência de fungicidas químicos e atender às exigências de mercados internacionais mais rigorosos quanto ao uso de agroquímicos. O simpósio reserva ainda um painel dedicado às contribuições do setor privado, com participação de empresas como Corteva Agriscience, Bayer, Koppert Brasil, Fundação MT e outras, apresentando tecnologias aplicadas à qualidade fitossanitária de sementes no Brasil.
Ao final do dia, entre 17h50 e 18h20, serão apresentadas as conclusões e proposições da área de Patologia de Sementes — um documento que costuma influenciar políticas públicas e diretrizes técnicas do setor. Para produtores, pesquisadores e técnicos de MS, acompanhar esses desdobramentos é acompanhar o que determinará as regras do jogo competitivo do agronegócio nos próximos anos.
Fontes: EMBRAPA SOJA, MAPA, ABRASEM, COPASEM