O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Ruth Filgueiras, em Três Lagoas, reuniu dez famílias na última terça-feira em uma oficina voltada ao fortalecimento dos laços familiares por meio do diálogo. A ação, conduzida pelo assistente social Francisjanio Vitoriano, integra o programa federal PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família) e foi coordenada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) da Prefeitura de Três Lagoas.
A iniciativa chega em um momento em que os índices de conflito intrafamiliar seguem preocupando equipes de proteção social em todo o país. Para as famílias em situação de vulnerabilidade — muitas delas beneficiárias de programas como o Bolsa Família —, o acesso a espaços de reflexão sobre relações humanas pode ser determinante na prevenção de situações de risco. O CRAS Ruth Filgueiras aposta nesse tipo de ação educativa como parte de uma política de assistência que vai além da transferência de renda.
Durante o encontro, Francisjanio Vitoriano conduziu dinâmicas e reflexões que incentivaram os participantes a repensar a forma como se comunicam dentro de casa. Conceitos como escuta ativa, comunicação não violenta e resolução pacífica de conflitos foram apresentados de maneira acessível, com foco na realidade cotidiana das famílias presentes. A proposta não era teórica: os participantes foram convidados a compartilhar experiências e identificar situações concretas em que o diálogo poderia ter mudado o desfecho de um conflito.
A abordagem reconhece que pais, filhos e demais membros da família frequentemente convivem com tensões acumuladas sem ferramentas para processá-las. Ao oferecer um espaço seguro de fala — mediado por um profissional capacitado —, o CRAS cumpre um papel que ultrapassa o atendimento burocrático e toca diretamente na qualidade das relações humanas dentro do núcleo familiar.
O perfil dos participantes revela a abrangência do serviço: estiveram presentes tanto famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família quanto usuários do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), contemplando público interno e externo ao CRAS. Essa diversidade é intencional — ao misturar perfis distintos em um mesmo espaço de diálogo, a equipe técnica amplia o alcance das trocas e reduz o estigma associado ao atendimento socioassistencial.
A unidade Ruth Filgueiras atende uma das regiões de maior concentração de famílias vulneráveis em Três Lagoas, e ações como essa constroem, ao longo do tempo, uma rede de confiança entre os moradores e os serviços públicos disponíveis no município.
A oficina não é um evento isolado. Ela compõe um calendário contínuo de ações educativas e de convivência desenvolvidas pelo CRAS Ruth Filgueiras ao longo do ano, dentro da política de proteção social básica do município. O objetivo é que as famílias acompanhadas não apenas recebam suporte econômico, mas ampliem sua capacidade de resolver problemas, fortalecer vínculos e acessar seus direitos.
Para Três Lagoas — cidade que cresceu rapidamente nas últimas décadas com a chegada de grandes indústrias e hoje abriga população migrante significativa —, manter esse tipo de serviço com qualidade é um desafio constante. Oficinas como a desta terça-feira mostram que, mesmo com recursos limitados, é possível gerar impacto real na vida das famílias atendidas.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS, SECRETARIA MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL