Preço do arroz em casca sobe no RS, mas chuvas travam vendas na entressafra
Oferta apertada e demanda das indústrias por matéria-prima elevam cotações no Rio Grande do Sul, enquanto o mau tempo reduz a liquidez do mercado.
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O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul vive um momento de tensão entre valorização e paralisia: os preços seguem em trajetória de alta, puxados pelo estoque enxuto nas mãos dos produtores e pela corrida das indústrias por matéria-prima, mas chuvas persistentes nas últimas semanas dificultaram o carregamento do cereal e travaram parte das negociações, segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O cenário é típico do período de entressafra: quem tem arroz segura o produto esperando preços ainda mais altos, enquanto as indústrias, pressionadas pela necessidade de manter o processamento em ritmo, elevam suas ofertas para atrair vendedores. Esse cabo de guerra entre retenção e demanda tende a se acirrar à medida que o intervalo entre safras avança — e para o agronegócio sul-mato-grossense, que observa de perto o comportamento dos preços para planejar a próxima temporada, o movimento gaúcho funciona como termômetro.
Produtores seguram lotes e indústrias sobem ofertasDe acordo com o Cepea, os produtores gaúchos estão negociando apenas volumes pontuais, mantendo postura firme diante das expectativas de novos ganhos. O comportamento reflete uma leitura clara do mercado: com menos arroz disponível e a entressafra se aprofundando, a tendência é que as cotações continuem subindo. Do lado dos compradores, a resposta tem sido aumentar os valores ofertados, especialmente nas regiões próximas ao porto de Rio Grande, onde as tradings têm operado com preços em torno de R$ 62 por saca para dar andamento ao escoamento da safra anterior.
A menor disponibilidade de produto no campo, combinada com a antecipação de valorizações futuras, tem mantido os vendedores retraídos. Para as indústrias beneficiadoras, o desafio é garantir matéria-prima suficiente para não interromper a produção nos meses seguintes — o que explica a disposição de pagar mais, mesmo em um momento em que a liquidez está reduzida.
Chuvas interrompem carregamentos e reduzem volume negociadoO fator climático tem complicado o quadro nos últimos dias. As chuvas persistentes no Rio Grande do Sul dificultaram o carregamento do cereal nas propriedades e nas unidades armazenadoras, limitando o avanço das transações e reduzindo o volume efetivamente negociado. Essa limitação logística, embora temporária, contribui para ampliar a sensação de escassez no mercado — o que, paradoxalmente, tende a reforçar a alta dos preços quando o tempo melhorar e as operações voltarem ao ritmo normal.
O efeito das chuvas sobre a logística de grãos é um problema recorrente na cadeia produtiva do Sul do país. Estradas rurais deterioradas, silos com acesso prejudicado e portos com operações intermitentes são gargalos que encarecem o frete e comprimem margens em toda a cadeia — da porteira ao porto.
O que esse mercado sinaliza para Mato Grosso do SulMato Grosso do Sul não é um produtor expressivo de arroz, mas o comportamento dos preços no maior estado arrozeiro do país tem influência direta no custo do produto para o consumidor final em todo o Brasil — incluindo na cesta básica das famílias sul-mato-grossenses. Com o arroz em casca valorizando no RS, os reflexos chegam às prateleiras do varejo regional em questão de semanas.
Para os produtores do estado que cultivam arroz em menor escala, especialmente nas regiões de várzea do Pantanal e do Bolsão, o cenário pode ser favorável caso decidam antecipar ou ampliar volumes para venda. Já para o setor de beneficiamento e o comércio atacadista, o recado é de pressão de custos no curto prazo, com a entressafra gaúcha ainda longe do fim. A próxima safra do RS está prevista para começar a ser colhida somente a partir de março de 2026, o que mantém o mercado pressionado por mais alguns meses.
Fontes: CEPEA