Leite pode chegar a R$ 2,50 por litro em julho, aponta projeção gaúcha
Conseleite/RS divulga estimativa com alta de quase 3% ante junho e sinaliza estabilidade nos preços pagos ao produtor no semestre
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O preço de referência do leite pago ao produtor deve alcançar R$ 2,5005 por litro em julho de 2026, segundo projeção divulgada na última terça-feira pelo Conseleite/RS, conselho que reúne produtores e indústrias lácteas do Rio Grande do Sul. O número representa avanço de 2,98% sobre a projeção de junho, que ficou em R$ 2,4281 por litro — ou seja, um acréscimo de R$ 0,0724 por litro na comparação entre os dois meses.
O movimento confirma uma tendência de leve aquecimento após meses de relativa estagnação. O valor consolidado de junho fechou em R$ 2,4320, praticamente empatado com o de maio (R$ 2,4302), com diferença de apenas R$ 0,0017. Para os pecuaristas de leite de Mato Grosso do Sul — estado que figura entre os maiores produtores da região Centro-Oeste —, os indicadores do Sul servem como termômetro nacional e influenciam as negociações com cooperativas e laticínios locais.
Estabilidade sustenta confiança do setor no primeiro semestre"Temos uma estabilidade nos preços e uma sustentação dos valores pagos ao produtor neste primeiro semestre do ano", afirmou Kaliton Prestes, coordenador do Conseleite/RS, durante a reunião online realizada com representantes das duas partes do conselho. Prestes destacou que os patamares registrados acompanham a média histórica e refletem comportamento semelhante ao observado nos principais estados produtores do país.
Os cálculos do Conseleite são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF) com base em dados fornecidos pelas indústrias participantes. A projeção mensal considera a movimentação dos 20 primeiros dias do mês, enquanto o valor consolidado só é apurado após o encerramento do período. Na mesma reunião, a Câmara Técnica e Econômica (Camatec) apresentou atualização nos parâmetros de cálculo do preço de referência, que passarão a ser adotados a partir da próxima rodada de aferição — uma mudança que pode afetar a metodologia de precificação em outras regiões que adotam critérios similares.
Chuvas acima da média preocupam e podem pressionar ofertaA reunião também trouxe um alerta que vai além dos números. Representantes tanto dos produtores quanto da indústria manifestaram preocupação com o volume elevado de chuvas registrado na região. Se o padrão persistir, há risco de comprometer o desenvolvimento das pastagens de inverno e prejudicar as de verão, com reflexo direto na formação de silagem e no estoque de alimentos das propriedades rurais.
O impacto climático sobre a produção leiteira é um fator que ressoa em Mato Grosso do Sul, onde o regime de chuvas irregulares já foi responsável por oscilações na oferta em anos anteriores. Qualquer redução na disponibilidade de forragem tende a elevar o custo de produção, pressionando as margens dos produtores mesmo quando o preço de venda apresenta alta.
O que o produtor de MS pode esperar para os próximos mesesPara os pecuaristas sul-mato-grossenses, a perspectiva de preços próximos a R$ 2,50 por litro em julho representa um piso razoável, ainda que distante do nível considerado ideal para cobrir todos os custos de produção em propriedades menores. O estado conta com cooperativas e laticínios que, em geral, utilizam referências regionais — mas os indicadores do Conseleite/RS funcionam como balizador nas negociações em âmbito nacional.
A leitura do setor é de cautela otimista: a estabilidade observada no primeiro semestre é positiva, mas a atenção se volta agora para as condições climáticas do inverno e para a demanda do mercado interno, que seguirá determinando se os preços conseguem avançar de forma consistente até o fim do ano.
Fontes: CONSELEITE/RS, UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO