Petróleo em queda derruba cotação do açúcar nas bolsas internacionais
Distensão entre EUA e Irã reduziu o temor de desabastecimento de petróleo e enfraqueceu o suporte ao etanol, impactando os preços do açúcar nesta semana.
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O açúcar recuou nas principais bolsas internacionais nesta segunda-feira, 27 de julho, pressionado pela forte queda do petróleo após uma pausa nos conflitos entre Estados Unidos e Irã e a reabertura de um canal de negociações entre os dois países — movimento que reduziu o temor de interrupções no abastecimento global de energia e esvaziou parte do prêmio de risco que vinha sustentando as commodities nas últimas semanas.
O impacto vai além da geopolítica. Para o setor sucroalcooleiro — altamente relevante para Mato Grosso do Sul, um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do país —, a dinâmica entre petróleo e etanol funciona como um termômetro permanente. Quando o barril cai, o biocombustível perde competitividade frente à gasolina, o que reduz o incentivo das usinas a direcionar cana para etanol e, consequentemente, aumenta a percepção de que mais açúcar chegará ao mercado mundial.
Números do dia: contratos recuam em Nova York e LondresPor volta das 11h50 desta segunda-feira, na bolsa ICE Futures US, em Nova York, o contrato com vencimento em outubro era negociado a 14,60 cents de dólar por libra-peso, queda de 17 pontos. O contrato para março de 2027 acompanhou o movimento, cotado a 14,46 cents por libra-peso, também com recuo de 17 pontos. Já na bolsa de Londres, o açúcar bruto para outubro caiu a US$ 459,70 por tonelada — baixa de 110 pontos —, enquanto o vencimento dezembro marcava US$ 459,80 por tonelada, com perda de 120 pontos.
Na sexta-feira anterior, 24 de julho, os contratos haviam encerrado o pregão com leves ganhos, sustentados pelo enfraquecimento do dólar e pela recompra de posições vendidas antes do fim de semana. O movimento de alta, porém, não foi suficiente para reverter a tendência de cautela que domina o mercado.
Índia no radar: chuvas de monção reforçam perspectiva de safra maiorAlém do petróleo, outro fator fundamental pesa sobre as cotações: a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, vem registrando melhora nas chuvas de monção, o que amplia as perspectivas para a safra do país. Esse cenário limita qualquer movimento mais expressivo de alta nos preços, uma vez que o mercado passa a antecipar maior disponibilidade do produto a nível global.
O conjunto de fatores — petróleo em queda, oferta indiana em recuperação e alívio das tensões geopolíticas — criou um ambiente de ajuste amplo nas commodities neste início de semana. Investidores reduziram a aversão ao risco e rebalancearam posições, gerando pressão vendedora simultânea em diversos mercados agrícolas.
O que o cenário externo significa para as usinas de MSMato Grosso do Sul concentra algumas das maiores unidades sucroalcooleiras do Brasil, com produção expressiva tanto de açúcar quanto de etanol. A queda das cotações internacionais, combinada com a redução do apelo do biocombustível frente à gasolina, coloca as usinas sul-mato-grossenses diante de um ambiente de margens mais apertadas — especialmente aquelas com maior exposição ao mercado externo e que definiram o mix de produção com base em um cenário de petróleo mais alto.
O mercado segue atento aos próximos indicadores climáticos da Índia e à evolução das negociações entre Washington e Teerã. Qualquer sinal de retomada do conflito ou de frustração da safra indiana tem potencial para reverter rapidamente o quadro atual — variáveis que os gestores de usinas e tradings em MS já estão monitorando de perto neste início de segunda metade do ano.
Fontes: ICE FUTURES US, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS