Brasil abre três novos mercados para exportar bovinos, suínos e cálculos biliares

China, Paraguai e Palau autorizaram a entrada de diferentes produtos de origem animal brasileira, ampliando as rotas de exportação do agronegócio nacional.

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Brasil abre três novos mercados para exportar bovinos, suínos e cálculos biliares
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O agronegócio brasileiro acaba de conquistar acesso simultâneo a três mercados externos para produtos de origem animal: China, Paraguai e Palau firmaram acordos sanitários com o Brasil, abrindo caminho para a exportação de cálculos biliares bovinos, suínos vivos destinados ao abate e carnes de diferentes espécies. Os anúncios foram feitos pelas respectivas autoridades sanitárias de cada país e representam um avanço significativo para produtores rurais brasileiros — incluindo os de Mato Grosso do Sul, um dos maiores estados pecuaristas do país.

A negociação de protocolos sanitários internacionais é um dos gargalos mais complexos do comércio agropecuário global. Cada mercado exige certificações, modelos documentais e inspeções específicas antes de aceitar qualquer produto. Por isso, a aprovação simultânea em três países com perfis tão distintos — uma superpotência asiática, um vizinho sul-americano e uma nação insular do Pacífico — sinaliza maturidade do sistema de defesa sanitária animal brasileiro e abre perspectivas concretas para os próximos meses.

China recebe cálculos biliares bovinos brasileiros pela primeira vez

Com a China, o passo mais incomum: foi assinado um protocolo sanitário bilateral que autoriza a exportação de cálculos biliares bovinos do Brasil para o gigante asiático. O produto, praticamente desconhecido no mercado doméstico, tem alto valor comercial na medicina tradicional chinesa, onde é utilizado como ingrediente em formulações milenares. O mercado chinês para essa matéria-prima é restrito e valorizado, e a entrada do Brasil nesse nicho representa ganho direto para frigoríficos e produtores que antes descartavam o subproduto.

Para Mato Grosso do Sul, o impacto pode ser expressivo. O estado abate milhões de cabeças de gado por ano e concentra alguns dos maiores frigoríficos do país. A comercialização de cálculos biliares — antes sem destino econômico relevante — pode se transformar em uma nova fonte de receita dentro do próprio parque frigorífico já instalado no estado, sem necessidade de novos investimentos estruturais.

Paraguai aceita suínos vivos e Palau abre portas para quatro tipos de carne

O Paraguai aprovou o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a exportação de suínos vivos brasileiros destinados ao abate. A medida tem relevância direta para a região de fronteira: cidades como Ponta Porã e Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul, integram corredores logísticos naturais para o transporte de animais vivos ao país vizinho, e a formalização sanitária desse fluxo pode estimular uma cadeia suinícola binacional mais estruturada.

Palau, por sua vez, aprovou os modelos de CSI para exportação de carnes bovina, ovina, caprina e suína de origem brasileira. Embora seja um mercado de menor volume — o arquipélago no Pacífico tem população de cerca de 18 mil habitantes —, a abertura representa diversificação geográfica e pode servir como porta de entrada para outros mercados da Oceania e do Sudeste Asiático que observam os movimentos comerciais da região.

O que muda para o produtor sul-mato-grossense

Mato Grosso do Sul encerrou 2024 com um rebanho bovino de mais de 21 milhões de cabeças, mantendo-se entre os três maiores do país. A combinação de novos mercados — especialmente China e Paraguai — fortalece a cadeia produtiva local em um momento em que o preço da arroba do boi gordo ainda opera em patamares elevados. Para o suíno, o estado tem expandido sua produção integrada nos últimos anos, e o acesso formal ao Paraguai pode estimular novos investimentos no setor.

A formalização desses acordos depende agora da publicação dos certificados sanitários aprovados no Diário Oficial brasileiro e da habilitação das plantas frigoríficas que poderão operar cada rota. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é o órgão responsável pela condução desse processo. Produtores e frigoríficos interessados devem acompanhar as portarias e normativas que regulamentarão as novas exportações nas próximas semanas.

O movimento reforça uma tendência que vem se consolidando: o Brasil não apenas amplia volume, mas diversifica destinos e produtos dentro do setor de proteína animal — o que reduz a dependência de mercados únicos e protege o produtor de oscilações pontuais na demanda global.

Fontes: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA PECUÁRIA E ABASTECIMENTO


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