A rede de assistência social de Três Lagoas ganhou reforço técnico na última semana com o encerramento de um ciclo intensivo de formação continuada promovido pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) e pelo Setor de Gestão do Trabalho do SUAS. O programa reuniu educadores sociais, pedagogos, técnicos de referência dos CRAS e profissionais de apoio à inclusão social no CRASE Coração de Mãe, com atividades voltadas ao aprimoramento do atendimento às famílias e comunidades assistidas pelo município.
A iniciativa responde a uma demanda crescente de qualificação para quem atua na linha de frente da proteção social básica. Com a chegada de novos servidores aprovados no Processo Seletivo Unificado (PSU), a administração municipal entendeu que era o momento de alinhar práticas, metodologias e valores entre veteranos e recém-chegados — um desafio comum a sistemas de assistência social que crescem em estrutura sem garantir coesão nas equipes.
As atividades foram coordenadas por Jair Belchior, responsável por conduzir palestras e dinâmicas reflexivas ao longo dos encontros. O conteúdo abrangeu estratégias pedagógicas socioeducativas aplicadas aos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), metodologias de mediação de conflitos e práticas de acolhimento sem discriminação. A formação também abordou formas de estimular a autonomia e o exercício da cidadania entre os públicos atendidos — crianças, adolescentes, adultos e idosos.
A escolha do CRASE Coração de Mãe como sede das atividades não foi coincidência: o mesmo espaço havia sido utilizado para a recepção e integração dos novos servidores do PSU, reforçando o ambiente como ponto central do processo formativo da secretaria. Questões como Direitos Humanos, diversidade sexual, normas administrativas e segurança do trabalho já haviam integrado módulos anteriores do mesmo ciclo.
A formação apostou na integração entre diferentes perfis profissionais. Os educadores sociais — responsáveis por oficinas e atividades socioeducativas junto aos usuários — trabalharam em conjunto com pedagogos das unidades, que garantem o alinhamento metodológico dos programas, e com os técnicos de referência dos CRAS, categoria composta por assistentes sociais e psicólogos que acompanham famílias e articulam ações com a comunidade. Os profissionais de apoio à inclusão social também participaram, atuando no suporte aos públicos prioritários e na promoção de acessibilidade.
Essa composição multidisciplinar reflete uma tendência dos sistemas municipais de assistência social que buscam superar o atendimento fragmentado, no qual cada profissional opera de forma isolada. A aposta é que equipes integradas produzam resultados mais consistentes nos indicadores de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários.
A SMAS confirmou que o ciclo formativo não se encerra com a semana que passou. Novos módulos de capacitação estão previstos para os próximos meses, com o objetivo de manter o aperfeiçoamento contínuo das equipes à medida que a rede socioassistencial do município se expande. A secretaria enquadra o programa como parte de um compromisso mais amplo com uma assistência social ética, inclusiva e eficiente.
Para Três Lagoas, cidade que concentra parte relevante da demanda social do Bolsão Sul-mato-grossense, investir na formação dos profissionais que atuam nos CRAS e nos Serviços de Convivência representa uma aposta estrutural. A qualidade do atendimento nas pontas do SUAS depende diretamente da capacidade técnica e humana de quem está em contato diário com as famílias mais vulneráveis — e é exatamente esse elo que a prefeitura afirma querer fortalecer nos próximos ciclos.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS