Paraguai bate recordes na exportação de soja e trigo no 1º semestre de 2026

País vizinho embarcou quase 2 milhões de toneladas a mais de soja em grão do que no mesmo período do ano passado, gerando receita superior a R$ 17 bilhões.

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Paraguai bate recordes na exportação de soja e trigo no 1º semestre de 2026
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O Paraguai encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultados expressivos no comércio exterior do agronegócio: as exportações de soja em grão superaram em quase 2 milhões de toneladas o volume registrado no mesmo período de 2025, enquanto os embarques de trigo da safra 2025 cresceram 30% na comparação com o ciclo anterior — números que reforçam o peso do país vizinho como potência agrícola regional e que têm reflexos diretos para o mercado de Mato Grosso do Sul.

Os dados são do Informe de Comércio Exterior da Capeco (Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas) e revelam um salto significativo tanto em volume quanto em divisas, em um ano em que as condições climáticas favoráveis e a demanda global aquecida colaboraram para impulsionar a produção paraguaia.

Soja lidera o crescimento: quase 6 milhões de toneladas embarcadas em seis meses

Entre janeiro e junho de 2026, o Paraguai exportou 5,89 milhões de toneladas de soja em grão — contra 4,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. A diferença de 1,79 milhão de toneladas representa, em receita, um ingresso adicional de aproximadamente US$ 766,8 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões). Só com a soja em grão, o país gerou US$ 2,27 bilhões (R$ 13,3 bilhões) no semestre.

O desempenho positivo não ficou restrito ao grão. O óleo de soja também avançou, passando de 305 mil toneladas para 319 mil toneladas exportadas, e os pellets subiram de 1 milhão para 1,15 milhão de toneladas. No consolidado, o complexo sojíceiro paraguaio gerou US$ 2,97 bilhões (aproximadamente R$ 17,4 bilhões) entre janeiro e junho de 2026, ante US$ 2,09 bilhões no mesmo intervalo do ano anterior. "O complexo da soja permitiu um ingresso de divisas muito superior ao de 2025, o que repercutiu positivamente em toda a economia nacional", destacou Sonia Tomassone, assessora de Comércio Exterior da Capeco.

Trigo da safra 2025 sobe 30% e supera 600 mil toneladas

O trigo paraguaio da safra 2025 — cujo período de comercialização começa em outubro — também entregou números acima do esperado. Entre outubro de 2025 e junho de 2026, o país embarcou 602.728 toneladas do cereal, volume 30% superior ao registrado no mesmo intervalo da safra 2024, quando foram exportadas 465.058 toneladas. A diferença chega a 137.670 toneladas a mais no período.

Quando se analisa apenas o ano calendário — de janeiro a junho de 2026 —, o avanço é ainda mais expressivo: 425.178 toneladas exportadas, quase o dobro das 248.810 toneladas embarcadas no primeiro semestre de 2025. Em receita, isso significou US$ 92,4 milhões (R$ 540 milhões) contra US$ 60,7 milhões (R$ 355 milhões) no período equivalente do ano anterior — um crescimento de mais de 52% em dólares.

O que os números paraguaios significam para Mato Grosso do Sul

O desempenho do agronegócio paraguaio interessa de perto ao produtor e ao exportador sul-mato-grossense. O Paraguai é um dos principais concorrentes do Brasil nos mercados de soja e trigo para a Ásia e a Europa, e uma oferta maior do país vizinho influencia diretamente os preços internacionais das commodities — impactando a rentabilidade das safras de MS, que também registrou uma das melhores colheitas de soja dos últimos anos em 2025/2026.

Além da concorrência no mercado externo, a fronteira entre MS e o Paraguai movimenta um intenso fluxo de grãos, insumos e maquinários. O fortalecimento da balança comercial paraguaia tende a aumentar a demanda por serviços logísticos, portos secos e corredores de exportação que passam pelo território sul-mato-grossense, especialmente pelas cidades de Ponta Porã e Mundo Novo. Para o setor do agronegócio em MS, o vizinho que cresce também pode ser um parceiro que amplia oportunidades.

O segundo semestre de 2026 será decisivo para confirmar se o ritmo de crescimento se mantém, com atenção especial às projeções climáticas para o período de plantio da próxima safra paraguaia e ao comportamento da demanda chinesa por grãos sul-americanos.

Fontes: CAPECO, AGENCIA IP PARAGUAI


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