Soja sobe mais de 11% em julho e boi gordo bate R$ 344 por arroba

Indicadores do Cepea mostram valorização consistente nas três commodities ao longo da semana e do mês, animando produtores de MS

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As três principais commodities do agronegócio brasileiro — soja, milho e boi gordo — encerraram a última sexta-feira, 25 de julho de 2026, em alta pelo segundo pregão consecutivo, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). A valorização não é pontual: os três indicadores acumulam ganhos expressivos tanto na semana quanto ao longo de julho, um sinal que aquece o ânimo de produtores rurais de Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores fornecedores nacionais de soja e carne bovina.

O cenário de altas simultâneas em diferentes cadeias produtivas é raro e reflete uma combinação de fatores que inclui demanda aquecida no mercado externo, dólar favorável às exportações e perspectivas de redução de oferta em alguns mercados produtores. Para o agronegócio sul-mato-grossense, que movimenta bilhões de reais por safra, o momento pode representar fôlego financeiro relevante antes do encerramento do ano agrícola.

Soja dispara e acumula alta de 11% em um único mês

O destaque da semana ficou com a soja. O indicador Cepea/Esalq Paranaguá — referência para comercialização no Porto de Paranaguá, principal escoamento da produção do Centro-Oeste — chegou a R$ 148,37 por saca de 60 quilos, alta de 0,61% no dia e de 4,01% na semana. No acumulado de julho, a valorização chega a impressionantes 11,07%, uma das maiores altas mensais do indicador em 2026.

No interior do Paraná, estado vizinho que compartilha dinâmica comercial com o sul de MS, o indicador Cepea/Esalq Paraná fechou a R$ 140,26 por saca, com ganho diário de 0,70% e valorização de 3,34% frente à segunda-feira anterior. O mês de julho acumula alta de 10,07% nesse mercado. Produtores sul-mato-grossenses que ainda seguram estoque tendem a se beneficiar diretamente do movimento, especialmente nas regiões de Dourados, Maracaju e Chapadão do Sul, polos de produção de grãos no estado.

Milho e boi gordo seguem em recuperação consistente

O milho também operou no campo positivo, mas com ritmo mais moderado. O indicador Esalq/BM&FBovespa encerrou a sexta em R$ 65,74 por saca de 60 quilos, avanço de 0,29% no dia. Na semana, a alta foi de 0,80%, e julho registra ganho acumulado de 3,40%. A trajetória de recuperação do milho é importante para MS, onde a cultura aparece tanto como commodity de exportação quanto como insumo para a cadeia de proteína animal — suínos e aves consomem volumes expressivos do grão produzido no estado.

Já o boi gordo chegou ao fim da semana cotado a R$ 344,20 por arroba, com valorização diária de 0,13%. Ao longo dos cinco dias úteis, o indicador avançou 2,11%, saindo de R$ 337,10 na segunda-feira. Em julho, a alta acumulada é de 2,32%. O resultado é especialmente relevante para Mato Grosso do Sul, que possui um dos maiores rebanhos bovinos do país e cuja pecuária de corte representa uma das principais fontes de receita do agronegócio estadual.

O que o produtor de MS pode esperar nos próximos dias

O movimento de alta sincronizada entre soja, milho e boi gordo tende a gerar efeitos positivos em cascata na economia rural de Mato Grosso do Sul. Municípios como Dourados, Três Lagoas, Maracaju e Corumbá — polos de diferentes cadeias produtivas — costumam sentir rapidamente os reflexos de semanas como esta no comércio local, no crédito rural e nas negociações de contratos para a próxima safra.

Analistas do setor observam, no entanto, que a volatilidade permanece elevada: fatores climáticos no Hemisfério Norte, decisões de política monetária nos Estados Unidos e o desempenho do real frente ao dólar podem alterar rapidamente o cenário de preços. Por ora, o sinal que chega do mercado é de otimismo cauteloso — e produtores atentos ao timing de comercialização têm uma janela favorável em mãos.

Fontes: CEPEA, ESALQ/USP