CNA vai à Argentina para destravar fronteiras e ampliar acordos do Mercosul

Dirigentes da confederação participaram de reuniões em Buenos Aires e na Exporural de Palermo para avançar em temas como trânsito de animais e integração aduaneira

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CNA vai à Argentina para destravar fronteiras e ampliar acordos do Mercosul
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) levou uma delegação à Argentina nos dias 23 e 24 de julho de 2026 para uma rodada de reuniões estratégicas que incluiu a Embaixada do Brasil em Buenos Aires e a tradicional Exporural de Palermo — a maior feira agropecuária do país vizinho. Na pauta: simplificação do trânsito de animais nas fronteiras, digitalização de processos alfandegários e os impactos da entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia.

O encontro acontece em um momento sensível para o agronegócio sul-americano. Com o acordo entre o Mercosul e a UE prestes a produzir efeitos práticos, a disputa pela distribuição de cotas entre os países do bloco ganhou urgência — e Brasil e Argentina têm posições distintas das do Paraguai sobre como essa divisão deve ser feita. Para Mato Grosso do Sul, estado que faz fronteira seca com o Paraguai e tem no agronegócio o principal motor econômico, as definições que saírem dessas negociações afetam diretamente exportadores de carne, grãos e outros produtos.

Melhoramento genético e comércio bilateral na vitrine de Palermo

Na Exporural de Palermo, o vice-presidente da CNA, Antônio Pitangui de Salvo, detalhou as intenções da visita ao principal evento do setor agropecuário argentino. "A proposta é manter o comércio entre os países e avançar conjuntamente no melhoramento genético para a produção de carnes de qualidade no Brasil e na Argentina", declarou Salvo, reforçando que a atenção da entidade se volta especialmente para a dinâmica da região Sul brasileira com o mercado argentino.

O olhar sobre o melhoramento genético não é detalhe menor: Brasil e Argentina competem e ao mesmo tempo se complementam na produção de proteína animal. Compartilhar tecnologias e padrões sanitários pode elevar a competitividade de ambos os países frente a concorrentes globais — um argumento que o setor produtivo brasileiro tem levado a Brasília com cada vez mais força.

Fronteiras digitais: o desafio de integrar os sistemas do bloco

Já na reunião na Adidância Agrícola da Embaixada do Brasil, o coordenador de Inteligência Comercial da CNA, Felipe Spaniol, abordou um gargalo histórico do Mercosul: a falta de integração entre os sistemas eletrônicos dos países membros. "Debatemos soluções para facilitar o comércio, promover a integração aduaneira e simplificar o trânsito de animais nas fronteiras, além da digitalização dos processos", afirmou Spaniol.

Para quem opera nas regiões de fronteira — como é o caso de Mato Grosso do Sul, com pontos de travessia em Ponta Porã e Corumbá —, a digitalização dos processos alfandegários representa economia direta de tempo e dinheiro. Cargas que hoje podem levar dias para ser liberadas em função de exigências burocráticas poderiam ter o trânsito agilizado com a integração dos sistemas entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Acordo Mercosul-UE e a briga pelas cotas

No encontro com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Binetti, a delegação da CNA mergulhou no tema mais complexo da agenda: a distribuição das cotas tarifárias previstas no Acordo Mercosul-União Europeia. A lógica é simples, mas a disputa é politicamente delicada — o quanto cada país do bloco poderá exportar, com tarifas reduzidas, para o mercado europeu ainda não está definido.

Brasil e Argentina defendem um método comum de partilha, mas o Paraguai apresenta uma posição divergente, o que complica a construção de consenso interno ao Mercosul. A agenda da CNA incluiu ainda discussões sobre os acordos do bloco com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com Singapura, além de negociações em curso com Japão, Coreia do Sul e Vietnã — mercados que interessam diretamente à pecuária de corte e à produção de grãos de estados como Mato Grosso do Sul.

A programação da CNA na Argentina se estende até domingo (27), com a reunião do Conselho Diretivo da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM) e a abertura oficial da Exporural de Palermo, evento que deve contar com a presença do presidente argentino. O resultado concreto dessas articulações será acompanhado de perto pelo setor produtivo brasileiro, que espera avanços que simplifiquem o dia a dia das operações no coração do Mercosul.

Fontes: CNA, CANAL RURAL


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