Mato Grosso chega a 90% do milho colhido; MS acompanha ritmo da região

Levantamento do Imea aponta avanço expressivo na colheita da safra 2025/26 em MT, com destaque para o Médio-Norte, que já ultrapassou 98% da área.

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Mato Grosso chega a 90% do milho colhido; MS acompanha ritmo da região
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A colheita de milho da safra 2025/26 em Mato Grosso encerrou a semana com 90,66% da área já colhida, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 24 de julho, pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O número representa um salto de quase 12 pontos percentuais em apenas sete dias e supera o índice registrado no mesmo período da safra anterior, quando o estado havia colhido 90,37% da área plantada.

O desempenho é relevante para toda a região Centro-Oeste — e também para Mato Grosso do Sul, estado vizinho que divide com MT o protagonismo no milho nacional. O ritmo da colheita influencia diretamente o mercado de grãos, os preços pagos ao produtor e a logística de escoamento pela malha de rodovias e ferrovias que corta o coração do Brasil. Com a colheita avançando em MT, aumenta também a pressão sobre a infraestrutura compartilhada pelos dois estados.

Médio-Norte puxa a colheita e entra na reta final

Dentro de Mato Grosso, o Médio-Norte — principal polo produtor de milho do estado — lidera com folga: a região já colheu 98,03% de sua área, praticamente encerrando a temporada. A concentração da produção nessa faixa do estado, que abrange municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, reforça o peso estratégico da região para o abastecimento interno e para as exportações brasileiras de milho.

Apesar do avanço expressivo, o ritmo geral de Mato Grosso ainda fica abaixo da média histórica. Nos últimos cinco anos, o estado costumava ter 92,68% da área colhida nessa mesma janela do calendário agrícola — diferença de dois pontos percentuais que, traduzida em área plantada, pode representar volumes significativos de grãos ainda em campo.

Valorização nos mercados acompanha o ritmo das colheitas

O momento da colheita coincide com uma semana de valorização nos mercados futuros de milho. Os contratos negociados na B3 acumularam alta de 3% na semana, enquanto a Bolsa de Chicago também operou em terreno positivo na maior parte dos pregões — impulsionada por fatores climáticos e tensões geopolíticas que afetam o mercado global de commodities. Para o produtor sul-mato-grossense, esse cenário representa uma janela favorável para a comercialização do grão.

Em Mato Grosso do Sul, o milho de segunda safra — a chamada safrinha — costuma ter colheita um pouco mais tardia do que em MT, o que coloca os produtores locais em posição de aproveitar eventuais picos de preço. O volume produzido no estado é relevante para o mercado interno, especialmente para a cadeia de proteína animal, que consome grandes quantidades do cereal como ração.

O que o produtor de MS precisa acompanhar agora

Com o grosso da colheita mato-grossense se encerrando, a atenção do mercado começa a se voltar para o ritmo de comercialização — quanto do grão já colhido está vendido e quanto ainda aguarda melhor momento. Segundo dados do próprio Imea, a comercialização avança no Brasil, mas produtores que retiveram parte da safra podem encontrar janelas interessantes nas próximas semanas, especialmente se as condições climáticas nos Estados Unidos seguirem pressionando os preços em Chicago.

Para o setor produtivo de Mato Grosso do Sul, a proximidade com o maior produtor nacional é faca de dois gumes: enquanto facilita o acesso a infraestrutura e mercados, também significa que o estado compete diretamente com MT pelos mesmos compradores, armazéns e corredores logísticos. Acompanhar o ritmo da colheita do vizinho é, portanto, parte do trabalho de qualquer produtor ou cooperativa sediada em MS que queira tomar decisões estratégicas de comercialização com maior precisão.

Fontes: IMEA, REUTERS


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