MAPA negocia com UE padrões sanitários para exportar carnes e ovos

Ministério da Agricultura apresentou documentação técnica à Comissão Europeia sobre controle de antimicrobianos, mas bloco ainda não deu resposta conclusiva.

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou que segue em negociação com autoridades da União Europeia (UE) sobre os padrões sanitários exigidos para a exportação de produtos de origem animal brasileiros — entre eles carnes bovina e de aves, ovos, mel e pescados. O ponto central das discussões é o controle do uso de antimicrobianos na produção animal, tema que ganhou peso crescente na agenda regulatória europeia. O bloco, no entanto, ainda não emitiu resposta formal sobre a documentação enviada pelo governo brasileiro.

O impasse tem efeito direto sobre o agronegócio de Mato Grosso do Sul, um dos maiores estados produtores de proteína animal do país. Com o maior rebanho bovino relativo por área do Brasil e expressiva produção de aves e suínos, o estado depende da manutenção de acordos sanitários internacionais para garantir o fluxo de exportações — que movimentam bilhões de reais anualmente e sustentam milhares de empregos no campo e nas indústrias frigoríficas.

O que o Brasil enviou à Europa — e o que ainda falta

Segundo o MAPA, o governo encaminhou à Comissão Europeia um dossiê técnico detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação aplicados a cada uma das cadeias produtivas abrangidas pela regulamentação europeia. O material, segundo o ministério, demonstra de forma objetiva como o sistema brasileiro garante que apenas produtos conformes sejam certificados para exportação.

O Brasil também deixou claro que não solicitou flexibilização das normas sanitárias europeias. A posição oficial é de que o país está comprometido com o atendimento integral dos requisitos dos mercados importadores — prática que sustenta a presença brasileira em mais de 150 países. O problema, na avaliação brasileira, está na exigência europeia de comprovação antecipada da implementação de medidas que, por natureza, ocorrem de forma gradual ao longo dos ciclos produtivos.

A disputa conceitual por trás das negociações

No centro do impasse há um debate técnico-jurídico relevante: o que significa um país estar na lista de nações autorizadas a exportar para a UE? Para o MAPA, isso não quer dizer que todos os produtos estão automaticamente habilitados — mas sim que a autoridade competente do país possui um sistema oficial reconhecido, capaz de certificar apenas o que efetivamente atende às exigências no momento da exportação.

A distinção é importante. "As garantias governamentais apresentadas pelo Brasil referem-se à confiabilidade do sistema oficial de fiscalização e certificação, ao passo que a disponibilidade de produtos elegíveis decorre da implementação dessas garantias ao longo dos respectivos ciclos produtivos", explicou o ministério em nota técnica. Em outras palavras: o Brasil garante o sistema, e o sistema garante o produto — não o contrário. Mas a UE, ao que tudo indica, quer mais evidências de execução concreta antes de dar sinal verde.

O que está em jogo para Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul abriga algumas das maiores plantas frigoríficas do país, com unidades da JBS, Marfrig e outras empresas voltadas tanto para o mercado interno quanto para a exportação. A Europa é um destino estratégico para cortes de alto valor, especialmente da carne bovina. Qualquer restrição adicional imposta pelo bloco teria reflexo direto na receita do estado e nos preços pagos ao produtor.

O cenário também é acompanhado de perto pelo setor avícola, que nos últimos anos expandiu sua presença no estado. A presença de ovos e carnes de aves na lista de produtos em negociação amplia a abrangência do impasse e aumenta o número de produtores potencialmente afetados.

As negociações continuam em andamento sem prazo definido. O MAPA reafirmou que manterá diálogo técnico com a Comissão Europeia com base em ciência, transparência e cooperação — pilares que, segundo o ministério, historicamente sustentam o comércio internacional agropecuário. Para o setor produtivo de Mato Grosso do Sul, a expectativa é que o desfecho preserve o acesso ao mercado europeu sem impor barreiras adicionais que comprometam a competitividade da produção regional.

Fontes: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA (MAPA)