Ibovespa recua com petróleo em alta e medo de inflação global

Tensões no Oriente Médio empurraram o barril do Brent a US$ 100 e derrubaram as principais bolsas do mundo na quinta-feira, 23 de julho.

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Ibovespa recua com petróleo em alta e medo de inflação global
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O agravamento do conflito no Oriente Médio voltou a chacoalhar os mercados globais nesta quinta-feira, 23 de julho, e o Ibovespa terminou o pregão com baixa de 0,46%, aos 176.723,62 pontos, pressionado pelo temor de que a interrupção no transporte marítimo de petróleo alimente uma nova rodada inflacionária mundial. O volume negociado na sessão somou R$ 21,04 bilhões.

O gatilho foi a declaração dos houthis do Iêmen de que atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — um movimento que, somado à quase paralisia do tráfego pelo Estreito de Ormuz, abriu a perspectiva de desabastecimento em dois grandes corredores marítimos ao mesmo tempo. A reação foi imediata: o petróleo Brent disparou 7% e fechou a US$ 100,69 o barril, o maior patamar desde o fim de maio. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu retaliação militar contra o Irã e seus aliados.

Petróleo em alta não foi suficiente para segurar o índice

Em condições normais, o encarecimento do petróleo seria motivo de festa para a bolsa brasileira, dado o peso da Petrobras no Ibovespa. E de fato as ações da estatal subiram: os papéis preferenciais (PN) avançaram 0,87% e os ordinários (ON) fecharam com alta de 1,67%. A Vale ON também registrou ganho de 0,77%, sustentada pelo desempenho do minério de ferro na China, onde o contrato futuro para setembro subiu 0,74%, a US$ 110,43 por tonelada.

Mesmo assim, o saldo do dia foi negativo. "O mercado tem dado mais peso ao temor inflacionário da guerra do que ao efeito positivo do petróleo sobre os termos de troca do Brasil", explicou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. A lógica é simples: petróleo caro encarece fretes, energia e produção no mundo inteiro, o que pode forçar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo — um cenário ruim para ativos de risco.

Bancos e varejo puxaram as perdas

O setor financeiro foi o mais castigado na sessão. Bradesco PN recuou 1,32%, Santander Brasil Unit perdeu 1,19%, Itaú Unibanco PN caiu 0,79% e Banco do Brasil ON recuou 0,76%. O varejo também sofreu: Azzas 2154 ON desabou 4,27%, uma das maiores quedas do índice, depois que analistas do Citi sinalizaram que o segundo trimestre de 2026 deve ser "mais um trimestre fraco" para a companhia, com queda de receita e desalavancagem operacional em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em Nova York, o cenário foi igualmente adverso. O S&P 500 recuou 1,2%, pressionado tanto pelo fantasma da inflação quanto por resultados financeiros abaixo do esperado em setores relevantes da economia americana.

O que esse movimento significa para Mato Grosso do Sul

Para o agronegócio sul-mato-grossense, que exporta soja, milho e carne para o mercado global, o cenário é de dupla atenção. De um lado, o petróleo mais caro eleva o custo do frete marítimo e dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos. De outro, um dólar pressionado para cima — como costuma acontecer em momentos de aversão ao risco — tende a beneficiar exportadores ao converter receitas em reais a taxas mais favoráveis.

Produtores e cooperativas do estado já monitoram de perto a evolução das tensões no Oriente Médio, cientes de que rotas alternativas mais longas encarecerão a logística da safra. A safra 2025/2026, estimada como uma das maiores já registradas em Mato Grosso do Sul, pode enfrentar margens mais apertadas caso o barril do petróleo se mantenha acima de US$ 100 por tempo prolongado.

No curto prazo, o mercado global segue em compasso de espera, sem visibilidade clara sobre o desfecho do conflito. Qualquer nova escalada nas próximas sessões tende a ampliar a volatilidade e manter o Ibovespa sob pressão — o que também impacta o custo de crédito e os investimentos produtivos em todo o Brasil, incluindo o interior de Mato Grosso do Sul.

Fontes: REUTERS, NOMAD, CITI RESEARCH


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