Linha de R$ 10 bilhões financia tecnologia no campo; MS pode ser grande beneficiado

CMN regulamentou nesta quinta-feira crédito para modernização rural com juros de até 7,12% ao ano e prazo de cinco anos para pagamento.

Por

Divulgação

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, a regulamentação de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões voltada à adoção de tecnologias nacionais no campo — abrindo uma janela significativa para produtores rurais de Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores celeiros agrícolas do Brasil. A medida, formalizada pela Resolução nº 5.331, permite que as operações comecem imediatamente pelas instituições financeiras credenciadas.

A iniciativa parte de uma Medida Provisória nº 1.374, editada em 30 de junho, que criou a linha de crédito com recursos do superávit financeiro do governo — sem comprometer o Orçamento federal. Com a regulamentação do CMN, o mecanismo sai do papel e passa à fase operacional, movimentando recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal instrumento federal de apoio à inovação e tecnologia no Brasil.

Quem pode acessar e quanto cada produtor pode contratar

A linha está aberta a três perfis: produtores rurais como pessoas físicas, produtores rurais como pessoas jurídicas e cooperativas de produção agropecuária. Um ponto que chama atenção é a inclusão explícita do produtor individual — figura que historicamente enfrenta mais barreiras para acessar crédito voltado à inovação tecnológica. Cada beneficiário poderá contratar até R$ 30 milhões no âmbito dessa linha.

Para acessar os recursos, o interessado deverá procurar bancos públicos, bancos de desenvolvimento ou outras instituições financeiras oficiais credenciadas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública responsável por fomentar a inovação no país. A lista de equipamentos e projetos elegíveis será definida e publicada pela própria Finep em seu site, o que dará ao produtor clareza sobre o que pode ser financiado.

Agricultura de precisão, sensores e rastreabilidade: o que o dinheiro pode comprar

O foco da linha é a modernização das propriedades rurais por meio de tecnologias desenvolvidas no Brasil. Entre as categorias previstas estão agricultura de precisão, máquinas e equipamentos automatizados, conectividade rural, digitalização da produção, sistemas que otimizem o uso de fertilizantes, defensivos e água, além de ferramentas de rastreabilidade da cadeia agropecuária. Para o agronegócio sul-mato-grossense — que opera em larga escala com soja, milho, cana-de-açúcar e pecuária de corte —, esse portfólio tecnológico representa ganhos reais de produtividade e redução de custos operacionais.

Os juros são compostos pela Taxa Referencial (TR) somada à remuneração da Finep de 3% ao ano e ao spread da instituição financeira, limitado a 4% ao ano. Na prática, os encargos totais podem chegar a 7,12% ao ano, dependendo do banco escolhido. O financiamento tem prazo de até cinco anos para pagamento, com parcelas anuais e sem período de carência. O risco de inadimplência fica com a instituição financeira, não com o governo federal.

O peso do crédito para Mato Grosso do Sul

Com mais de 9 milhões de hectares sob atividade agropecuária e um setor que responde por parcela expressiva do PIB estadual, Mato Grosso do Sul reúne as condições ideais para absorver esse tipo de crédito. Cooperativas consolidadas como a Copasul, produtores de grande porte do entorno de Dourados, Maracaju, Rio Brilhante e Sidrolândia, além de pecuaristas do Pantanal e do Bolsão, estão entre os perfis que se encaixam nos critérios da nova linha.

O CMN é composto atualmente pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que preside o colegiado, pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. A aprovação em sessão extraordinária reforça o caráter prioritário da medida para o governo federal — e, do lado do produtor sul-mato-grossense, significa que o crédito já está disponível para quem correr à instituição financeira mais próxima.

Num ciclo agrícola em que a competitividade depende cada vez mais de dados, sensores e automação, o acesso a R$ 10 bilhões lastreados em tecnologia nacional chega em momento oportuno. Para o campo sul-mato-grossense, a janela está aberta — e o prazo de cinco anos para pagamento torna o investimento factível mesmo para quem ainda hesita em embarcar na chamada agricultura 4.0.

Fontes: CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, FINEP