Conflito no Mar Negro empurra milho a alta de 2% em Chicago

Ataques ucranianos a embarcações russas elevam prêmios de risco e puxam contratos futuros do cereal na CBOT e na B3 nesta quarta-feira

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Conflito no Mar Negro empurra milho a alta de 2% em Chicago
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Os contratos futuros do milho fecharam a sessão desta quarta-feira, 22, com valorização de até 2% na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionados pela escalada do conflito entre Ucrânia e Rússia no Mar Negro e no Mar de Azov — região estratégica para o escoamento de grãos do leste europeu. No mercado brasileiro, a B3 acompanhou o movimento de alta, com ganhos distribuídos ao longo de toda a curva de contratos, refletindo tanto o cenário geopolítico quanto fatores domésticos do setor.

A tensão no corredor marítimo do Mar Negro tem sido um dos principais vetores de volatilidade para o mercado de commodities agrícolas nos últimos meses. A região concentra rotas essenciais para exportações de grãos de países como Ucrânia, um dos maiores fornecedores mundiais de milho. Qualquer interrupção nesse fluxo repercute diretamente nos preços globais — e os produtores e traders de Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores produtores nacionais do cereal, monitoram essas oscilações de perto.

Ataques a embarcações elevam prêmio de risco no mercado

Segundo análise da consultoria Agrinvest, a alta desta quarta foi puxada principalmente pela intensificação dos ataques ucranianos no Mar Negro. "As forças da Ucrânia atingiram mais 13 embarcações russas — sendo 10 navios de carga, dois rebocadores e um petroleiro — e, nas últimas duas semanas, o total de embarcações atingidas chegaria a 196", detalhou a consultoria em nota divulgada durante o pregão. O impacto imediato foi o aumento dos chamados prêmios de risco, que encarecem os contratos à medida que cresce a incerteza sobre a disponibilidade futura do grão. "Os prêmios de risco estão ficando cada vez mais pesados sobre as cotações", completou a Agrinvest.

Nos contratos negociados em Chicago, o vencimento setembro/26 encerrou cotado a US$ 4,62, com alta de 2,04%. O dezembro/26 fechou a US$ 4,84 (+2%), enquanto o março/27 foi negociado a US$ 5,00 (+1,88%) e o maio/27 chegou a US$ 5,08, com valorização de 1,80% em relação ao fechamento da terça-feira anterior.

B3 também registra ganhos, puxados por demanda no físico

No mercado brasileiro, a alta seguiu trajetória similar. O contrato de setembro/26 na B3 fechou a R$ 70,11 por saca, com valorização de 1,43%. O janeiro/27 foi cotado a R$ 76,58 (+0,92%), o março/27 a R$ 77,73 (+1,08%) e o maio/27 encerrou a R$ 76,82 (+0,95%). Segundo a Agrinvest, a tendência de valorização nos contratos futuros domésticos reflete também a aquecida movimentação no mercado físico. "No físico, os negócios seguem em ritmo superior ao mês passado. Nas últimas semanas, foi registrado o maior farmer selling semanal para o milho safrinha desta temporada", destacou a consultoria — indicando que os produtores têm aproveitado as cotações mais altas para vender estoques.

No mercado físico, as praças produtoras de diferentes estados registraram valorização no preço da saca do cereal ao longo desta quarta-feira, sinalizando que o movimento de alta não se restringiu apenas aos pregões de futuros.

O que a alta em Chicago significa para o milho em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul ocupa posição de destaque na produção nacional de milho safrinha, com municípios como Maracaju, Dourados e Siderolândia entre os maiores produtores do estado. Oscilações nos contratos futuros da CBOT e da B3 influenciam diretamente o preço recebido pelo produtor sul-mato-grossense no balcão das tradings e cooperativas, além de orientar decisões de plantio para a próxima safra.

Em um cenário em que os prêmios de risco geopolítico continuam pressionando as cotações para cima, produtores e analistas do setor em MS devem permanecer atentos à evolução do conflito no leste europeu — e às condições climáticas nas principais regiões produtoras globais, outro fator que segue no radar do mercado. A combinação de oferta global apertada e demanda sustentada pode manter os preços do milho em patamar elevado nas próximas semanas.

Fontes: AGRINVEST, CBOT, B3


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