Milho reidratado no confinamento reduz até 20% do desperdício de amido

Zootecnista Maurício Scoton alerta que técnicas de processamento de grãos são decisivas para cortar custos por arroba no Brasil Central

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Milho reidratado no confinamento reduz até 20% do desperdício de amido
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O zootecnista Maurício Scoton, especialista em Confinamento Enxuto, apontou o milho reidratado como uma das ferramentas mais eficientes para confinadores que querem reduzir custos sem abrir mão do desempenho animal. Em participação no programa Giro do Boi, Scoton detalhou como o processamento inadequado de grãos representa uma perda silenciosa que corrói diretamente a margem de quem engorda gado no Brasil Central — incluindo os grandes produtores de Mato Grosso do Sul.

A temporada de confinamento 2026 chega em um cenário de insumos pressionados, tornando cada detalhe da dieta no cocho uma decisão financeira de peso. Com o milho respondendo por 30% a 60% do volume total do trato fornecido ao rebanho, qualquer ineficiência no aproveitamento do cereal se traduz diretamente em custo por arroba — e, por consequência, em menor competitividade na hora da venda.

O que acontece quando o milho não é processado corretamente

O problema começa na estrutura do próprio grão. Quando o milho é oferecido apenas na forma seca e moída, o rúmen do bovino tem dificuldade em romper a matriz proteica que envolve o amido. O resultado, explicou Scoton, é um desperdício nutricional mensurável: "Cerca de 15% a 20% do amido ingerido passa direto pelo trato digestivo e cai nas fezes sem virar carne", afirmou o especialista. Em termos práticos, isso significa que o pecuarista está comprando, transportando e fornecendo alimento que nunca será convertido em produto final.

Em dietas em que o milho representa 50% da mistura, esse desperdício pode chegar a corresponder à metade de todo o custo de produção da arroba — um número expressivo em qualquer planilha de confinamento. Com cotações de insumos ainda elevadas, a margem de tolerância para essas perdas é cada vez menor.

Processamento como estratégia, não como custo extra

Scoton destacou que muitos confinadores ainda resistem à adoção do milho reidratado por acreditarem que o processamento encarece o trato. No entanto, o especialista inverteu a lógica: as técnicas de moagem, laminação e floculação não visam apenas aumentar o peso do animal, mas sim atingir o mesmo desempenho consumindo menos alimento — o que, na prática, reduz o custo total da operação.

A floculação, em especial, é apontada como o método de maior eficiência na quebra do amido, aumentando a superfície de contato do grão com as enzimas digestivas. Já a reidratação combina umidade e fermentação para amolecer a estrutura do grão antes mesmo de ele chegar ao cocho, facilitando o trabalho do rúmen e elevando o aproveitamento energético da dieta.

O que muda para o confinamento em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul figura entre os estados com maior volume de gado em confinamento no Brasil, e a discussão sobre eficiência alimentar tem impacto direto na competitividade do produtor sul-mato-grossense. Com o estado consolidado como grande exportador de carne bovina, reduzir o custo por arroba é condição essencial para manter a rentabilidade diante da concorrência nacional e das flutuações do câmbio nas exportações.

A adoção das tecnologias de processamento discutidas por Scoton já é realidade em confinamentos mais estruturados do estado, mas ainda encontra resistência em operações de menor escala, justamente onde o impacto financeiro por unidade de alimento é proporcionalmente maior. A orientação técnica aponta que o investimento em equipamentos de processamento tende a se pagar rapidamente quando o rebanho confinado ultrapassa determinado volume — tornando a questão não apenas técnica, mas também de gestão e planejamento financeiro da propriedade.

À medida que o setor avança para sistemas mais intensivos e a pressão por eficiência aumenta, o domínio das técnicas de processamento de grãos deve se tornar um diferencial cada vez mais valorizado entre os pecuaristas que buscam competitividade no mercado de carne.

Fontes: CANAL RURAL, EMBRAPA


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