Boi gordo abre semana acima da média com frigoríficos sem escala

Dificuldade dos frigoríficos para compor escalas de abate pressiona cotações para cima em nove estados produtores nesta segunda-feira

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Boi gordo abre semana acima da média com frigoríficos sem escala
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O mercado físico do boi gordo iniciou a semana de 21 de julho com cotações sustentadas acima da referência média em pelo menos nove estados brasileiros, movimento impulsionado pela dificuldade que os frigoríficos enfrentam para fechar suas escalas de abate — um cenário que beneficia diretamente o pecuarista, mas que carrega sinais de alerta para os próximos meses, sobretudo em Mato Grosso do Sul, um dos maiores rebanhos do país.

O pano de fundo é delicado: o ritmo de embarques de carne bovina para o exterior vem recuando de forma expressiva ao longo de julho, reflexo do esgotamento antecipado da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne brasileira destinada ao mercado chinês — o maior comprador do produto nacional. Com menos boi saindo pelo porto, a pressão do mercado externo sobre os preços internos tende a ceder, e os efeitos disso devem aparecer nas próximas semanas.

Por que o boi segue valorizado mesmo com queda nos embarques

A resposta está na aritmética da indústria frigorífica: quando as plantas de abate não conseguem completar sua programação semanal, precisam buscar animais no mercado à vista, o que eleva a disputa pelo gado disponível e empurra os preços para cima. "O ritmo de embarques apresenta importante declínio no decorrer do mês, algo já esperado com o esgotamento precoce da cota destinada à China", explicou Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado. A conjunção de escassez de escala e demanda pontual dos frigoríficos é o que tem mantido as negociações acima da referência, ao menos no curto prazo.

Mas o próprio especialista faz um contraponto importante sobre o consumo interno. "O mercado interno permanece fragilizado, com preços da carne ainda em perspectiva de recuo durante a segunda quinzena do mês", disse Iglesias. Ou seja: o produtor negocia bem o gado vivo na fazenda, mas o consumidor final ainda não sente o bife mais acessível no açougue — o que indica que a margem está sendo absorvida ao longo da cadeia.

Câmbio favorável dá suporte adicional ao setor

O comportamento do dólar nesta segunda-feira trouxe um alívio moderado. A moeda americana encerrou o dia com queda de 0,41%, cotada a R$ 5,09 para venda — após oscilar entre R$ 5,08 e R$ 5,11 ao longo da sessão. Para o agronegócio exportador, um dólar mais baixo representa receitas menores em reais, mas o patamar ainda elevado da moeda segue garantindo competitividade à carne brasileira no mercado internacional, mesmo com a cota chinesa esgotada.

Para os frigoríficos instalados em Mato Grosso do Sul — estado que responde por uma fatia significativa do abate nacional —, o cenário de câmbio estável e oferta de animais ainda aquecida é uma combinação que exige atenção na estratégia de compra das próximas semanas, especialmente com a perspectiva de queda nos preços do varejo doméstico.

O que esperar para a pecuária sul-mato-grossense

Mato Grosso do Sul ocupa posição estratégica nesse mercado: é o quarto maior rebanho bovino do Brasil, com mais de 22 milhões de cabeças, e abriga algumas das maiores unidades frigoríficas do país. A pressão por escala de abate sentida em outros estados ressoa diretamente nas negociações realizadas nas regiões de Dourados, Campo Grande, Três Lagoas e Corumbá, onde a atividade pecuária é pilar da economia local.

Com a segunda quinzena de julho se aproximando e a expectativa de recuo nos preços da carne ao consumidor, os produtores sul-mato-grossenses que ainda não fecharam negócio para os próximos lotes devem acompanhar de perto o comportamento das cotações diárias. A janela de preços acima da média pode ser mais curta do que parece: quando os frigoríficos recompuserem suas escalas e a pressão de compra imediata ceder, a tendência é de acomodação das cotações — o que reforça a importância de uma comercialização estratégica neste momento.

Fontes: SAFRAS & MERCADO, CANAL RURAL


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