O mercado de soja encerrou esta segunda-feira (20 de julho) com cotações em alta no Brasil, impulsionado por uma valorização de mais de 2% na Bolsa de Chicago (CBOT) — movimento que compensou o recuo do dólar e dos prêmios de exportação e animou produtores, inclusive os do Mato Grosso do Sul, a fechar negócios com margens melhores do que nas sessões anteriores.
O avanço reflete uma combinação de fatores que raramente se alinham com tanta força ao mesmo tempo: demanda chinesa aquecida pela soja norte-americana, preocupações climáticas nos Estados Unidos e vendas expressas comunicadas ao USDA — o Departamento de Agricultura americano. Para quem carrega estoque da safra atual ou negocia antecipação da próxima, o momento gerou uma janela de oportunidade que o mercado aproveitou, ainda que com cautela.
"Chicago chegou a operar com valorização superior a 2% nos principais vencimentos", destacou Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado. Na prática, isso se traduziu em ganhos entre R$ 2,00 e R$ 3,00 por saca no mercado interno, dependendo da praça. Nos portos, as indicações se mantiveram firmes, embora com prazos de pagamento mais estendidos do que o habitual — detalhe que levou parte dos vendedores a postergar a entrega física.
Os contratos de agosto na CBOT fecharam a US$ 12,26 por bushel, com alta de 1,78%. O vencimento de novembro — referência para a safra nova — encerrou a US$ 12,26¼ por bushel, alta de 1,93%. No câmbio, o dólar comercial recuou 0,41%, cotado a R$ 5,0886 para venda, o que reduziu levemente o repasse cambial, mas não foi suficiente para anular o efeito positivo vindo de Chicago.
Por trás da alta em Chicago estão negócios concretos: exportadores privados americanos comunicaram ao USDA a venda de 264 mil toneladas de soja para a China, com entrega na temporada 2026/27, mais outras 110 mil toneladas para destinos não identificados. Ainda assim, no acumulado do ano, as importações chinesas de soja norte-americana somam 9,31 milhões de toneladas — volume 42,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, reflexo da preferência que Pequim mantém pelo produto brasileiro.
Os dados de junho reforçam essa disparidade. A China importou 12,08 milhões de toneladas de soja do Brasil no mês, alta de 13,7% sobre junho do ano passado. No acumulado de 2026, o total já chega a 34,75 milhões de toneladas, expansão de 9,1% na comparação anual. Para efeito de escala: o Brasil vendeu quase três vezes mais soja à China em junho do que os Estados Unidos ao longo do semestre inteiro. Mato Grosso do Sul, como segundo maior produtor nacional, participa diretamente desse fluxo — e o aquecimento do mercado chinês impacta diretamente o caixa dos produtores sul-mato-grossenses.
Parte da alta em Chicago tem origem nas projeções climáticas para o cinturão produtivo dos Estados Unidos, onde previsões de tempo seco e temperaturas acima da média aumentaram a preocupação com o desenvolvimento das lavouras americanas. Esse cenário tende a valorizar a soja fora dos EUA — o que é positivo para o Brasil —, mas também introduz volatilidade, já que qualquer revisão favorável nas condições meteorológicas pode reverter parte dos ganhos desta sessão.
No fechamento desta segunda, o mercado aguardava com atenção o relatório semanal do USDA sobre as condições das lavouras americanas. Os agentes queriam saber se o clima recente já deixou marcas visíveis no desenvolvimento da cultura. O resultado desse relatório deve dar o tom para as sessões do início da semana. Para os produtores de MS que ainda têm soja para vender ou que estão precificando a safra 2026/27, o cenário atual — com Chicago firme, China comprando e clima americano incerto — tende a manter o piso de preços sustentado no curto prazo, ainda que a volatilidade permaneça como variável constante.
Fontes: SAFRAS & MERCADO, USDA, CBOT