O Brasil terá cerca de US$ 7 bilhões em exportações atingidas pelas novas tarifas americanas de 25%, previstas para entrar em vigor na próxima semana. O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Rosa, em entrevista coletiva em Brasília. Segundo ele, esse montante representa aproximadamente 18% do total exportado pelo país para os Estados Unidos — uma fatia expressiva, mas que o governo federal diz estar preparado para enfrentar com suporte direto aos setores prejudicados.
A medida é parte de uma série de barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano que vêm colocando em xeque acordos históricos de comércio entre os dois países. Para o Brasil, o momento é delicado: o mercado americano é um dos destinos mais relevantes da pauta exportadora nacional, e qualquer elevação de tarifa tem reflexo imediato na competitividade das empresas brasileiras lá fora — e, consequentemente, na cadeia produtiva dentro do país.
O ministro Marcio Rosa identificou quatro segmentos como os mais vulneráveis à nova política tarifária americana: madeira, máquinas e equipamentos, móveis e calçados. São indústrias que, em conjunto, movimentam bilhões de reais por ano e empregam milhares de trabalhadores em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Ceará — e também em Mato Grosso do Sul, onde o setor madeireiro e o de máquinas agrícolas têm presença relevante na economia regional.
A aplicação de uma tarifa de 25% sobre esses produtos encarece significativamente o preço final ao consumidor americano, reduzindo a atratividade dos bens brasileiros frente a concorrentes de outros países. O risco concreto é a perda de contratos, queda nas encomendas e, em casos mais graves, a necessidade de demissões ou paralisação de linhas de produção.
Diante do cenário, o governo Lula sinalizou que não ficará passivo. "A prioridade é apoiar os setores afetados", afirmou Rosa, sem detalhar, no entanto, quais mecanismos concretos serão acionados — se linhas de crédito diferenciadas, desoneração de encargos, abertura de novos mercados ou uma combinação dessas alternativas. A expectativa do setor privado é que o governo apresente um plano estruturado ainda antes da entrada em vigor das tarifas.
Paralelamente, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia sinalizado que o Brasil utilizará a reciprocidade como instrumento de pressão no momento que julgar adequado — uma sinalização diplomática clara de que há espaço para retaliação, embora o timing ainda seja calculado com cautela para não acirrar ainda mais a disputa comercial.
Para Mato Grosso do Sul, o cenário exige atenção. O estado é um dos maiores produtores de celulose, madeira processada e proteína animal do país — e parte dessa produção tem como destino o mercado externo, incluindo os Estados Unidos. Embora os principais produtos do agronegócio sul-mato-grossense, como soja e carne bovina, não estejam no centro do anúncio desta semana, a pressão tarifária americana costuma criar efeitos em cascata que afetam toda a cadeia logística e de exportação.
Além disso, empresas do setor de máquinas e equipamentos com operação no estado podem sentir reflexos na demanda, caso clientes americanos reduzam importações. O acompanhamento das negociações entre Brasília e Washington nas próximas semanas será decisivo para entender a extensão real do impacto sobre a economia regional.
Com a data de implementação se aproximando, o Brasil entra em uma fase crítica de negociações e adaptações. A capacidade do governo de proteger os setores produtivos e, ao mesmo tempo, manter o diálogo com Washington, definirá não apenas o desempenho das exportações no curto prazo, mas o posicionamento do país na geopolítica comercial global nos próximos anos.
Fontes: REUTERS, MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO INDÚSTRIA COMÉRCIO E SERVIÇOS