As cotações do boi gordo voltaram a registrar avanço no mercado físico brasileiro nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, com negociações superando as médias de referência em diversas praças. O movimento foi puxado pela pressão que as escalas de abate exercem sobre os frigoríficos, que se viram obrigados a competir com mais intensidade pela oferta disponível — um cenário que favorece diretamente os produtores, incluindo os pecuaristas de Mato Grosso do Sul, um dos maiores estados produtores de bovinos do país.
A combinação de oferta restrita de gado pronto para abate com a necessidade das indústrias de cumprir seus cronogramas de produção criou um ambiente de compra mais disputado. Ao mesmo tempo, o mercado opera sob a sombra de variáveis externas — entre elas, a menor presença da China nas importações de carne brasileira — que podem limitar a sustentação dos preços ao longo das próximas semanas.
"O atual posicionamento das escalas de abate exige que as indústrias atuem de maneira mais agressiva na compra de gado, enquanto a oferta no geral se mostra mais restrita", explicou Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado. Essa pressão estrutural sobre a cadeia de abate é o principal motor da alta desta semana, já que os frigoríficos precisam garantir volume para não interromper suas linhas de produção.
Para os produtores sul-mato-grossenses, que respondem por um rebanho superior a 17 milhões de cabeças, o momento representa uma janela de valorização importante. MS é um dos estados que mais abastece os principais centros de abate do Centro-Oeste e do Sudeste, e qualquer alta sustentada na arroba repercute diretamente na renda do campo regional.
Apesar da firmeza das cotações do boi vivo, o mercado atacadista de carne bovina operou com preços estáveis nesta quinta-feira — e o horizonte aponta para dificuldades à frente. O analista da Safras & Mercado destaca dois fatores de pressão: o enfraquecimento do impulso salarial sobre o consumo interno e a perda de competitividade da carne bovina frente a outras proteínas. "A carne bovina vem perdendo competitividade em relação às proteínas concorrentes, que voltam a apresentar sinais de enfraquecimento, especialmente a carne de frango", apontou Iglesias.
No front externo, o esgotamento precoce da cota de exportação para a China — principal destino da carne brasileira — segue como variável de risco. "O esgotamento precoce da cota chinesa ainda é um elemento importante a ser considerado nas estratégias dentro do mercado pecuário em 2026", reforçou o analista. Sem a demanda chinesa em plena atividade, a pressão sobre os preços no atacado tende a crescer nas próximas semanas.
O dólar comercial encerrou a sessão desta quinta-feira em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,0993 na venda. Durante o pregão, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,0813 e R$ 5,1133. Para a pecuária de exportação, um dólar acima de R$ 5 ainda favorece a competitividade da carne brasileira no mercado internacional, amenizando parcialmente o impacto da retração chinesa.
Para Mato Grosso do Sul, onde a pecuária de corte é um dos pilares da economia — respondendo por fatia expressiva do PIB agropecuário estadual —, a leitura do mercado é de cautela com otimismo pontual. A alta de curto prazo beneficia quem tem gado pronto para venda agora, mas o ambiente competitivo com o frango e a incerteza sobre a China pedem atenção aos próximos movimentos do setor. Frigoríficos instalados no estado, como os de Três Lagoas, Naviraí e Campo Grande, devem continuar pressionados a elevar ofertas para garantir escala de produção nas próximas semanas.
Fontes: SAFRAS & MERCADO