Rio atmosférico castiga o Chile, mas chuvas no Sul do Brasil têm outra origem
Inmet esclarece que instabilidade prevista para o Sul e Centro-Oeste vem de sistema de baixa pressão sobre Argentina e Paraguai, não do fenômeno que afeta os chilenos.
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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) descartou nesta quinta-feira, 16 de julho, qualquer relação entre o rio atmosférico que castigou o Chile nesta semana — derrubando postes, suspendendo aulas e bloqueando estradas — e as chuvas esperadas para o Sul e o Centro-Oeste do Brasil nos próximos cinco dias. São dois fenômenos distintos, que atuam de forma independente, mesmo que geograficamente próximos.
A confusão é compreensível: quando imagens de estragos chegam do Chile e, ao mesmo tempo, previsões de temporal aparecem no Brasil, a tendência é associar os dois eventos. Mas os meteorologistas são categóricos: a instabilidade que se aproxima da região que inclui Mato Grosso do Sul tem origem em um sistema de baixa pressão atmosférica formado sobre a Argentina e o Paraguai — vizinhos diretos do estado — e não tem conexão com o corredor de umidade que cruzou o Oceano Pacífico e se chocou com a Cordilheira dos Andes.
O que é um rio atmosférico e por que ele não chegou ao BrasilRios atmosféricos são estruturas meteorológicas pouco conhecidas do grande público, mas de efeito devastador quando se intensificam. Trata-se de faixas estreitas e alongadas que transportam enormes volumes de vapor d'água desde os oceanos até o interior dos continentes. No caso do Chile, esse fluxo úmido vindo do Pacífico encontrou os Andes como barreira natural: o ar foi forçado a ganhar altitude, resfriou rapidamente e descarregou chuva em quantidade excepcional sobre o território chileno.
"Esses sistemas desempenham papel fundamental no abastecimento hídrico de diversas regiões do planeta. No entanto, quando são particularmente intensos ou persistentes, podem provocar episódios de chuva extrema, elevando o risco de enchentes, deslizamentos de terra e outros impactos associados aos eventos meteorológicos severos", explica o Inmet em nota técnica. A cadeia montanhosa dos Andes, nesse sentido, funciona como uma parede que intercepta o fenômeno antes que ele possa avançar para o lado brasileiro do continente.
O sistema que preocupa MS vem da Argentina e do ParaguaiA ameaça real para Mato Grosso do Sul e para o Sul do Brasil nas próximas horas não vem do Pacífico, mas de um sistema de baixa pressão que se organiza sobre os países vizinhos. Esse tipo de configuração é clássica no inverno sul-americano: massas de ar se encontram sobre a Argentina e o Paraguai, geram instabilidade e empurram frentes de chuva intensa em direção ao território brasileiro.
O Inmet alerta que esse sistema pode trazer, além de precipitação volumosa, trovoadas, rajadas de vento e queda de granizo em algumas localidades. O Rio Grande do Sul deve registrar os maiores acumulados de chuva e, portanto, o maior risco de transtornos. Mas o corredor de instabilidade que passa pelo oeste e sul de Mato Grosso do Sul — zona de fronteira com o Paraguai e a Argentina — coloca o estado em estado de atenção, especialmente municípios como Ponta Porã, Dourados, Mundo Novo e Corumbá, historicamente sensíveis a esse padrão meteorológico de origem platina.
Como acompanhar o tempo em MS nos próximos diasO Inmet recomenda que moradores da faixa sul do país acompanhem os boletins meteorológicos diários e fiquem atentos a alertas de tempo severo emitidos pelo instituto. Em Mato Grosso do Sul, a Defesa Civil Estadual e as prefeituras da região de fronteira costumam acionar protocolos de prevenção quando sistemas originados na Argentina e no Paraguai ganham força — o que torna o monitoramento das próximas 48 a 72 horas especialmente relevante.
Enquanto o Chile enfrenta os estragos do rio atmosférico — com escolas fechadas e serviços de energia elétrica comprometidos em diversas províncias —, o Brasil lida com um desafio de outra natureza, mas igualmente sério. A distinção entre os dois fenômenos importa não só para a precisão científica, mas para que autoridades e população saibam exatamente de onde vem o risco e como se preparar para ele.
Fontes: INMET, AGÊNCIA BRASIL