Governo avalia restringir antimicrobianos na pecuária para retomar exportações de carne à União Europeia

Medida busca atender exigências sanitárias do bloco europeu após exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal

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O governo federal estuda restringir ou até proibir o uso de antimicrobianos na cadeia pecuária brasileira como parte das negociações para retomar o acesso do país ao mercado da União Europeia.

A discussão ganhou força após o bloco europeu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal, alegando falta de garantias sobre o controle dessas substâncias ao longo de todo o ciclo de vida dos animais. 

A União Europeia anunciou a exclusão do Brasil em maio deste ano, afirmando que o país não demonstrou conformidade com as regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária.

A decisão afeta produtos como carne bovina, carne de frango, ovos, mel e outros itens de origem animal destinados ao mercado europeu.

Os antimicrobianos são utilizados na pecuária para prevenção e tratamento de doenças, mas alguns também podem atuar como promotores de crescimento animal.

A União Europeia mantém regras rígidas sobre o uso dessas substâncias devido à preocupação com a resistência antimicrobiana, fenômeno que pode dificultar o tratamento de infecções tanto em animais quanto em seres humanos. 

Segundo informações divulgadas por veículos especializados do setor agropecuário, a proposta em análise pelo governo conta com apoio de parte da indústria frigorífica, que vê na medida uma forma de demonstrar compromisso com os padrões sanitários europeus e facilitar o retorno do Brasil à lista de exportadores habilitados. 

Desde a suspensão, o Ministério da Agricultura intensificou as negociações com autoridades europeias e implementou novos procedimentos de fiscalização. Entre as medidas está a exigência de comprovação do acompanhamento de todo o ciclo produtivo dos animais e da ausência do uso de antimicrobianos proibidos pelas normas da União Europeia. 

Para a pecuária bovina, no entanto, o desafio é maior. Diferentemente da avicultura, onde o ciclo de produção é curto e mais facilmente monitorado, o rastreamento completo de bovinos pode levar mais de dois anos e envolver diversas propriedades rurais até o abate.

A preocupação do setor é significativa porque a União Europeia representa um dos principais mercados para as proteínas brasileiras. Em 2025, o bloco importou cerca de 368 mil toneladas de produtos de origem animal do Brasil, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão. Apenas as exportações de carne bovina ultrapassaram US$ 1 bilhão no período. 

Especialistas apontam que, além das questões comerciais, o debate envolve tendências globais de segurança alimentar e saúde pública. Países importadores têm ampliado as exigências relacionadas à rastreabilidade, ao bem-estar animal e ao controle do uso de medicamentos veterinários, tornando esses fatores cada vez mais relevantes para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Enquanto as negociações continuam, o governo busca uma solução que preserve o acesso ao mercado europeu sem comprometer a produtividade da cadeia pecuária nacional. A expectativa é que novas definições sobre o tema sejam discutidas nos próximos meses entre representantes do governo, frigoríficos e produtores rurais.


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