Uma tecnologia desenvolvida pela startup brasileira Olho do Dono está transformando a forma como pecuaristas monitoram seus rebanhos.
Utilizando câmeras 3D e inteligência artificial, o sistema consegue estimar o peso dos animais sem necessidade de balanças convencionais, diretamente no pasto e com alta precisão.
A inovação surgiu para solucionar um problema comum no campo. Estimativas do setor apontam que apenas entre 15% e 20% das fazendas brasileiras possuem balança própria, obrigando muitos produtores a recorrer ao aluguel do equipamento ou a métodos visuais menos precisos para avaliar o desenvolvimento dos animais.
O equipamento funciona por meio da captura de imagens tridimensionais dos bovinos enquanto eles passam sob a câmera instalada em áreas de circulação.
Os dados são processados por algoritmos treinados com mais de 1,5 milhão de registros de peso, permitindo que a inteligência artificial realize a estimativa individual dos animais.
Além do peso, a plataforma fornece informações sobre ganho médio diário, desempenho do lote, contagem de animais e integração com sistemas de identificação eletrônica, ampliando o controle de gestão da propriedade rural.
Outro diferencial é a redução do manejo tradicional. Segundo a empresa, um processo que normalmente exigiria horas de trabalho, diversos funcionários e deslocamento dos animais até o curral pode ser realizado em poucos minutos, diminuindo custos operacionais e melhorando o bem-estar do rebanho.
A tecnologia já é utilizada por propriedades de diferentes portes e por grandes grupos do setor pecuário. De acordo com a empresa, a pesagem digital permite acompanhamento mais frequente dos animais, oferecendo informações estratégicas para decisões sobre suplementação, confinamento, comercialização e planejamento da produção.
Em Mato Grosso do Sul, onde a pecuária ocupa posição de destaque nacional, ferramentas desse tipo ganham relevância à medida que o setor busca aumentar produtividade, eficiência e rastreabilidade.
A digitalização do campo tem ampliado o uso de soluções tecnológicas capazes de melhorar resultados sem aumentar custos operacionais.
A tendência reforça um movimento crescente no agronegócio brasileiro: a utilização da inteligência artificial para transformar atividades que, por décadas, dependeram exclusivamente da experiência prática e da observação humana.
Fonte: Olho do Dono