Nestlé eliminará corantes artificiais de todo o portfólio global até o fim de 2026
Gigante de alimentos amplia iniciativa já concluída nos Estados Unidos
A Nestlé anunciou que removerá todos os corantes alimentares artificiais de seu portfólio global até o final de 2026.
A informação foi revelada em entrevista exclusiva à Reuters pelo diretor global de tecnologia da companhia, Stefan Palzer.
Com a decisão, a multinacional suíça se torna a primeira grande empresa de alimentos a estabelecer uma meta global para eliminar esse tipo de aditivo de todos os seus produtos.
O compromisso amplia uma estratégia que já havia sido implementada nos Estados Unidos. Em junho deste ano, a Nestlé USA confirmou a conclusão da retirada dos corantes sintéticos FD&C (Food, Drug & Cosmetic) de todo o seu portfólio de alimentos e bebidas no país, cumprindo a meta anunciada em 2025.
Na ocasião, a empresa informou que mais de 90% de suas categorias já estavam livres desses ingredientes antes mesmo da aceleração do programa de reformulação.
Segundo Palzer, a transição exigiu anos de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para encontrar alternativas naturais capazes de oferecer desempenho semelhante durante o processamento industrial e ao longo da vida útil dos produtos. O executivo afirmou à Reuters que a mudança envolveu a avaliação de diferentes fontes naturais, testes em escala de produção e análises de estabilidade e conservação.
A decisão ocorre em um momento de crescente pressão sobre a indústria de alimentos por formulações mais simples e transparentes. Consumidores têm demonstrado maior atenção aos rótulos e aos ingredientes utilizados em produtos ultraprocessados, enquanto fabricantes buscam adaptar seus portfólios às novas demandas de mercado.
A Nestlé também relaciona essa tendência ao avanço dos medicamentos para controle de peso da classe GLP-1 e à procura por alternativas consideradas mais saudáveis.
Nos Estados Unidos, o debate ganhou força após o Departamento de Saúde e Serviços Humanos e a Food and Drug Administration (FDA) anunciarem a intenção de retirar gradualmente corantes sintéticos do fornecimento de alimentos.
As autoridades citam preocupações sobre possíveis associações entre alguns corantes artificiais e condições como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), obesidade e diabetes.
Entretanto, parte da comunidade científica sustenta que ainda são necessárias evidências mais robustas para confirmar essas relações de forma conclusiva. [reuters.com], [money.usnews.com]
A movimentação da Nestlé acompanha uma tendência mais ampla no setor. Empresas como General Mills, Kraft Heinz, Conagra Brands, PepsiCo e Mars Wrigley já anunciaram iniciativas para substituir corantes artificiais por alternativas naturais em parte ou na totalidade de suas operações nos Estados Unidos.
Impactos para o mercado brasileiro
No Brasil, os corantes alimentares são regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que estabelece critérios de uso e limites de aplicação por meio da RDC nº 130/2019.
Atualmente, não há proibição dos corantes sintéticos autorizados no país. Ainda assim, movimentos globais liderados por multinacionais costumam influenciar estratégias de formulação e inovação em mercados locais.
Na prática, a decisão da Nestlé pode acelerar a adoção de corantes naturais também nos produtos comercializados no Brasil, especialmente em categorias voltadas ao público infantil, bebidas, confeitos e sobremesas.
Além dos aspectos regulatórios, fatores como percepção de saudabilidade, transparência dos ingredientes e demandas de consumidores tendem a ganhar peso crescente nas estratégias da indústria alimentícia nacional.