Gigantes dos EUA saem em defesa de produtos brasileiros e pressionam contra tarifa de 25%

Tesla, Coca-Cola, eBay e a suíça Nestlé alertam que taxação pode elevar custos, prejudicar empresas americanas e afetar cadeias globais de abastecimento

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Grandes multinacionais norte-americanas entraram na disputa comercial envolvendo Brasil e Estados Unidos e passaram a pressionar o governo americano para que produtos brasileiros sejam excluídos da proposta de tarifa adicional de 25% em análise pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Entre as empresas estão Tesla, Coca-Cola, eBay e a suiça Nestlé, que apresentaram manifestações formais alertando para possíveis impactos econômicos da medida. 

As manifestações ocorreram durante o processo de consulta da investigação comercial conduzida com base na chamada Seção 301 da legislação norte-americana, instrumento utilizado pelos EUA para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.

Além da tarifa de 12,5% já em discussão, o governo americano avalia impor uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

O argumento das empresas é que a medida pode provocar aumento de custos, interrupções nas cadeias de suprimentos e repasses de preços para consumidores americanos.

Empresas afirmam depender de insumos brasileiros

A Tesla afirmou ao USTR que determinados insumos industriais provenientes do Brasil continuam sendo estratégicos para segmentos como veículos elétricos, baterias e sistemas de robótica. Segundo a empresa, apesar dos investimentos na nacionalização da cadeia produtiva, diversos componentes ainda não podem ser substituídos rapidamente pela indústria americana. 

Já a Nestlé pediu a inclusão do café solúvel brasileiro e do colágeno bovino na lista de exceções, argumentando que a produção doméstica dos Estados Unidos é insuficiente para atender à demanda. 

A Coca-Cola destacou a importância dos insumos cítricos brasileiros para sua cadeia de produção. A empresa pediu a manutenção da isenção para derivados de laranja e a inclusão de produtos à base de limão, ressaltando a forte redução da produção na Flórida ao longo das últimas décadas. Segundo a companhia, a safra local caiu de 242 milhões de caixas em 2003/2004 para cerca de 12 milhões de caixas em 2025/2026. 

O eBay, por sua vez, argumentou que a taxação poderá afetar pequenos negócios e consumidores que dependem da compra e venda de produtos usados e seminovos por meio da plataforma digital. 

Reforço à defesa apresentada pelo agronegócio brasileiro

A movimentação das multinacionais ocorre no mesmo momento em que representantes do agronegócio e da indústria brasileira participam de audiências públicas em Washington para tentar evitar o chamado "tarifaço".

O setor produtivo brasileiro tem defendido que as novas barreiras prejudicariam também a economia americana ao elevar custos de matérias-primas e dificultar o abastecimento de diversos segmentos industriais. 

A participação de empresas americanas fortalece os argumentos apresentados pelo Brasil, uma vez que as críticas à medida agora partem também de corporações que atuam diretamente no mercado norte-americano e dependem de fornecedores brasileiros.

Decisão será tomada nos próximos dias

As audiências públicas sobre o caso começaram nesta semana e a expectativa é que o governo americano anuncie uma decisão sobre a aplicação das tarifas ainda em julho.

Até lá, empresas, entidades empresariais e representantes do governo brasileiro seguem atuando para ampliar a lista de produtos excluídos da medida. 


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