China joga fora do campo e conquista espaço bilionário na Copa do Mundo de 2026

Mesmo sem seleção no Mundial, empresas chinesas investem pesado em patrocínios, tecnologia e infraestrutura do torneio

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A China não está representada dentro das quatro linhas na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.

No entanto, sua presença no torneio é cada vez mais evidente fora de campo. Gigantes como Lenovo, Hisense e Mengniu figuram entre os principais patrocinadores da FIFA e utilizam o evento como vitrine global para fortalecer suas marcas e expandir negócios em mercados estratégicos. 

A participação das empresas chinesas ocorre em um momento em que a seleção masculina do país acumula mais uma ausência em Copas do Mundo, após não conseguir a classificação para a edição de 2026.

Apesar disso, o setor empresarial chinês segue ampliando sua influência econômica no principal evento esportivo do planeta. 

Mais que patrocínio: tecnologia e presença global

A Lenovo, atualmente parceira global da FIFA, ocupa uma das categorias mais elevadas de patrocínio da entidade. A companhia fornece milhares de equipamentos tecnológicos que ajudam na operação e na distribuição de conteúdos da Copa, além de utilizar o torneio para apresentar suas soluções baseadas em inteligência artificial. 

A Hisense também ganhou destaque ao fornecer equipamentos utilizados em operações tecnológicas do Mundial, incluindo soluções para suporte à arbitragem por vídeo (VAR).

Já a Mengniu, uma das maiores empresas de laticínios da China, mantém sua estratégia de associação à Copa para ampliar reconhecimento internacional da marca. 

Segundo especialistas ouvidos pela imprensa internacional, a estratégia chinesa mudou nos últimos anos.

Em vez de buscar apenas exposição de marca, as companhias passaram a utilizar grandes eventos esportivos como plataformas para demonstrar inovação tecnológica, capacidade industrial e presença global. 

Investimentos bilionários

Relatórios de mercado indicam que os investimentos das empresas chinesas ligados à Copa de 2026 somam centenas de milhões de dólares.

Estimativas divulgadas por veículos internacionais apontam que o valor investido por patrocinadores chineses se aproxima de US$ 500 milhões, colocando o país entre os maiores investidores corporativos do torneio. 

Além dos contratos de patrocínio, há gastos adicionais com campanhas de marketing, ações promocionais e ativações de marca, que frequentemente superam o valor desembolsado pela cota oficial de patrocínio. 

A fábrica da Copa

A influência chinesa também se estende à cadeia produtiva do Mundial. A cidade de Yiwu, conhecida como um dos maiores centros de comércio atacadista do mundo, produz grande parte dos souvenires, bandeiras, camisetas e produtos relacionados à competição vendidos em diversos países. 

Dados comerciais mostram que as exportações de artigos esportivos da região cresceram significativamente impulsionadas pela Copa, reforçando o papel da China como fornecedora global da indústria do esporte. 

Diplomacia econômica pelo futebol

A presença chinesa na Copa de 2026 mostra que o futebol se tornou uma ferramenta importante de posicionamento econômico global.

Mesmo sem protagonismo esportivo, as empresas do país transformaram o Mundial em uma plataforma para fortalecer marcas, apresentar tecnologias e ampliar sua participação nos mercados internacionais. 

Enquanto a seleção chinesa continua distante das grandes potências do futebol, as corporações do país demonstram que é possível conquistar espaço na Copa do Mundo por outros caminhos: negócios, inovação e influência global.