O deputado federal Geraldo Resende formalizou o pedido de desfiliação do PSDB e deve ingressar no União Brasil ainda nesta semana, antes do encerramento da janela partidária. A movimentação, que aconteceu sob forte resistência interna, foi determinada pelo diretório nacional do União Brasil, que pressionou pela chegada do parlamentar mesmo diante da oposição de boa parte da chapa já estruturada no estado.
A decisão reverbera diretamente na geometria eleitoral de Mato Grosso do Sul às vésperas das eleições de outubro de 2026. Com a chegada de Geraldo, o União Brasil passa a ter chances concretas de eleger até dois deputados federais pelo estado — mas a operação incomoda aliados e está causando baixas em outras legendas, especialmente no PP.
Geraldo Resende será o único deputado federal com mandato em exercício pelo União Brasil em Mato Grosso do Sul — e foi exatamente esse argumento que o diretório nacional usou para impor a filiação, sobrepondo a resistência do grupo que já vinha se organizando localmente. O partido reivindicou o direito de indicar nomes para a chapa, independentemente de acordos feitos entre filiados do PP e do próprio União Brasil na instância estadual.
A lógica é simples do ponto de vista eleitoral: um parlamentar com mandato em exercício agrega votos, visibilidade e tempo de televisão à legenda. Com Geraldo Resende, Rose Modesto, Roberto Hashioka e Carlos Bernardo compondo a lista, o partido projeta uma bancada federal mais competitiva do que teria sem o deputado oriundo do PSDB.
O principal prejudicado pela manobra é o PP de Mato Grosso do Sul. O partido havia filiado Dagoberto Nogueira e trabalhava com a expectativa de eleger dois deputados federais dentro da coligação. Com a entrada de Geraldo no bloco, o cálculo muda — e a disputa interna por espaço tende a se acirrar.
O sinal mais claro do desconforto veio de Jaime Verruck, que desistiu de se filiar ao partido na noite anterior ao fechamento do prazo, insatisfeito com os rumos da montagem da chapa. Verruck não seria o único a demonstrar inconformismo, e o cenário pode sofrer novas alterações antes do fim da janela partidária.
A reorganização das forças em torno de Geraldo Resende expõe uma tensão recorrente na política brasileira: a disputa entre decisões nacionais de partido e os arranjos construídos localmente por lideranças regionais. Em Mato Grosso do Sul, onde a competição por vagas federais é historicamente acirrada, cada nome a mais em uma chapa competitiva pode significar a diferença entre eleger dois ou três parlamentares — ou nenhum além do esperado.
Com a janela partidária se encerrando em breve, os próximos dias serão decisivos para saber se as turbulências internas ao PP e ao próprio União Brasil vão resultar em novas saídas ou se o bloco se consolida da forma como o diretório nacional planejou. O impacto sobre as candidaturas ao governo do estado e ao Senado também pode aparecer como variável nessa equação.
Fontes: INVESTIGA MS