Representantes de sete municípios de Mato Grosso do Sul se reuniram na última sexta-feira (27) no Complexo Multiuso da UFMS, em Campo Grande, para transformar vivências em política pública. O Fórum das Juventudes, etapa central do Festival da Juventude 2026, mobilizou 172 pessoas — jovens e gestores — que sistematizaram ao final do dia 40 propostas concretas destinadas a atualizar o Plano Estadual da Juventude de Mato Grosso do Sul.
O evento não foi iniciativa isolada. Ele encerrou um ciclo de escutas chamado Circuito da Juventude, que percorreu diferentes regiões do estado antes de chegar à capital. Participaram jovens vindos de Campo Grande, Nioaque, Figueirão, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Água Clara e Corumbá — municípios que representam realidades distintas do território sul-mato-grossense, da capital ao Pantanal, passando pelo interior produtivo e por cidades menores do cone sul.
O subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, destacou que o processo foi construído de forma descentralizada. "A gente passou por sete regiões realizando essas escutas e o Conselho esteve presente em todos os momentos. Tudo isso é fruto de uma construção coletiva e de parceria — não é um espaço para elogios, mas de debate e participação social", afirmou.
Divididos em grupos com mediação especializada, os participantes debateram desafios a partir de suas próprias realidades e elegeram prioridades que foram apresentadas em plenária. As 40 propostas finais ficaram distribuídas em cinco eixos temáticos:
A abertura do fórum teve uma intervenção artística de rap construída com base em uma nuvem de palavras criada pelos próprios jovens em torno da pergunta "o que é ser jovem?" — dinâmica que colocou a identidade e o pertencimento no centro da discussão antes mesmo dos grupos de trabalho começarem.
A presidente do Conselho Estadual de Juventude, Isabela Nantes, reforçou que o espaço foi planejado para garantir voz real, não simbólica. "A gente precisa discutir acesso ao esporte, oportunidades de trabalho e construir metas reais. E isso também passa por orçamento, por garantir que a política pública de juventude tenha recursos para acontecer", disse ela.
Entre os participantes, vozes de diferentes perfis marcaram o debate. Thallysa Antero de Luna, 17 anos, moradora do bairro União em Campo Grande, defendeu que a participação coletiva qualifica as soluções. Já Jhoseff Gabriel, 16 anos, estudante de Ribas do Rio Pardo, ressaltou a necessidade de mais acesso à educação. O jovem Samuel Bobson, do IFMS, chamou atenção para a falta de espaços culturais acessíveis: "A arte não precisa de milhões para acontecer, ela precisa de oportunidade. A gente precisa de palco para poder brilhar", defendeu.
A secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, lembrou que o objetivo do plano vai além do documento formal. "Hoje, vocês têm a oportunidade de construir um plano que não é para ficar no papel, mas para transformar realidades, nas escolas públicas, nas periferias, nas comunidades indígenas e ribeirinhas", afirmou. Ela também citou o investimento do Governo do Estado em grêmios escolares como parte do fortalecimento da participação estudantil.
Com o encerramento do fórum, as 40 propostas passam agora por sistematização técnica e política para compor a base do novo Plano Estadual da Juventude de Mato Grosso do Sul. O documento deve refletir as especificidades das juventudes do estado — urbanas e rurais, indígenas e ribeirinhas, das periferias das cidades médias e da capital — numa das políticas públicas mais aguardadas pelo segmento no ciclo atual do governo estadual.
Fontes: GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, SECRETARIA DE ESTADO DA CIDADANIA