Juruva vira símbolo da Mata Atlântica em MS e impulsiona aviturismo no estado

Lei sancionada em 2026 oficializa a espécie como representante do bioma em Mato Grosso do Sul, unindo conservação, turismo e pesquisa científica.

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Mato Grosso do Sul ganhou uma nova embaixadora da natureza: a juruva (Baryphthengus ruficapillus) foi eleita ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica no estado. A formalização veio com a sanção da Lei nº 6.563/2026, que coloca o bioma — e a rica fauna que o habita — no centro da política ambiental e turística sul-mato-grossense.

  • O quê: Juruva é oficializada como ave símbolo da Mata Atlântica em MS
  • Quando: Lei sancionada em 2026, após processo iniciado em 27 de maio de 2025
  • Onde: Mato Grosso do Sul, com destaque para a região sul do estado
  • Impacto: Fortalece o turismo de observação de aves e ações de conservação ambiental no estado
Uma espécie eleita pelo povo: como a juruva foi escolhida

A escolha não foi arbitrária. O processo envolveu uma ampla mobilização de entidades públicas, privadas e da sociedade civil, conduzida pela Frente Parlamentar de Unidades de Conservação durante sessão realizada na Assembleia Legislativa de MS. A proposta foi apresentada justamente no Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio de 2025), e o resultado da consulta pública foi anunciado no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) — uma escolha simbólica que reforça o caráter ambiental da iniciativa. Entre os parceiros que participaram da construção da proposta estão a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), o Imasul, Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), prefeituras e organizações locais. Ana Luzia Abrão, gestora da RPPN Ernesto Vargas Baptista, em Eldorado, celebrou o resultado: "Essa aprovação mostra a união de diversas instituições em prol da valorização de uma espécie emblemática da nossa fauna", afirmou.

Aviturismo e desenvolvimento sustentável: o que muda na prática

A legislação vai além do reconhecimento simbólico. O texto prevê que o Poder Executivo estadual poderá lançar campanhas educativas, produzir materiais institucionais e organizar eventos ambientais para divulgar a imagem da juruva. A medida dialoga diretamente com uma rota de observação de aves já lançada pela Fundação de Turismo de MS (Fundtur) em parceria com a IGR Vale das Águas e o Imasul, voltada a Unidades de Conservação da Mata Atlântica no interior do estado. Para Geancarlo Merighi, diretor de Desenvolvimento do Turismo da Fundtur, a iniciativa consolida um segmento estratégico: "A escolha da ave símbolo reforça a valorização da identidade local e o papel da gestão pública na consolidação do segmento de observação de aves como vetor de desenvolvimento sustentável". Já o operador turístico José Lucas, da Instância de Governança Vale das Águas, destaca a mobilização coletiva: "Fortalecer esse segmento é estratégico para o desenvolvimento sustentável do território", disse.

MS como guardião da Mata Atlântica: os números que impressionam

Mato Grosso do Sul abriga cerca de 6,3 milhões de hectares do bioma Mata Atlântica — a maior área contínua preservada desse bioma no interior do Brasil. Desse total, mais de 1 milhão de hectares estão protegidos em unidades de conservação, como o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná. A juruva, conhecida pela beleza singular e pelo comportamento discreto no interior das matas, é considerada uma espécie indicadora da qualidade ambiental dos ecossistemas florestais — ou seja, onde ela aparece, a floresta está saudável. A sanção da lei acontece ainda num momento estratégico: logo após a realização da COP15 em Mato Grosso do Sul, evento que projetou o estado nas discussões globais sobre biodiversidade.

Com a institucionalização da juruva, o estado sinaliza que conservação e economia podem — e devem — andar juntas. O aviturismo movimenta viajantes dispostos a explorar destinos com fauna preservada, e o reconhecimento formal de uma espécie símbolo cria identidade, atrai pesquisadores e posiciona MS como referência nacional no turismo de natureza. O movimento é local, mas o impacto pode ser sentido em toda a cadeia do ecoturismo no Centro-Oeste e além das fronteiras brasileiras.

Fontes: FUNDTUR MS, IMASUL, ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE MS