Eles são os maiores músculos do corpo humano, mas seguem sendo um dos grupos mais negligenciados nas academias e rotinas de exercício. Os glúteos — formados pelo glúteo máximo, médio e mínimo — vão muito além da estética: especialistas em fisioterapia e cinesiologia alertam que a fraqueza nessa região está diretamente ligada a dores crônicas, instabilidade postural e maior risco de quedas, especialmente entre pessoas acima dos 60 anos. Fortalecer esse grupo muscular pode ser um dos investimentos mais eficazes para quem quer envelhecer com qualidade de vida.
Quando se pensa em musculação funcional, é comum que os exercícios para membros superiores ou abdômen ganhem destaque. No entanto, a parte inferior do corpo — especialmente os glúteos — é a base de praticamente todos os movimentos do cotidiano. Sentar e levantar de uma cadeira, subir escadas, caminhar em terreno irregular ou até mesmo se equilibrar ao carregar peso: todas essas ações dependem diretamente da força glútea. Theresa Marko, fisioterapeuta em Nova York e professora da Touro University, resume bem a importância desses músculos: "Você quer conseguir sair do metrô? Quer conseguir levantar do vaso sanitário? Os glúteos são extremamente importantes para a vida independente". A afirmação pode soar simples, mas traduz um ponto crítico: a autonomia nas atividades básicas da vida diária está condicionada à saúde muscular da região pélvica e dos quadris.
Um dos principais vilões para os glúteos no mundo moderno é o sedentarismo imposto pela rotina de trabalho. Longas horas sentado — em escritórios, no home office ou em deslocamentos — inibem a ativação dos glúteos e podem levar ao que os especialistas chamam de "síndrome do bumbum morto", condição em que os músculos perdem a capacidade de se contrair de forma eficiente. Quando os glúteos ficam fracos, outros grupos musculares passam a compensar o esforço, sobrecarregando principalmente os músculos posteriores da coxa e a região lombar. O resultado, a médio e longo prazo, são dores nas costas, nos joelhos e até torções no tornozelo. Sandor Dorgo, professor de cinesiologia da Universidade do Texas em San Antonio, reforça que esse problema é ainda mais grave entre pessoas mais velhas: para ele, idosos deveriam priorizar o fortalecimento da parte inferior do corpo acima de qualquer outro grupo muscular.
A boa notícia é que não é preciso equipamento sofisticado para trabalhar esses músculos. Movimentos como agachamentos, elevação de quadril (também chamado de hip thrust), avanços e pontes são altamente eficazes e podem ser feitos em casa ou em academias populares. O segredo, segundo os especialistas, está na consistência e na integração desses movimentos com o restante do corpo. Dorgo destaca que "a força dos glúteos é importante, mas só faz sentido quando integrada ao restante do corpo" — referindo-se à chamada cadeia posterior, que conecta o calcanhar ao pescoço e exige trabalho coordenado de múltiplos grupos musculares. Constanza Cortes, professora assistente da Escola de Gerontologia Leonard Davis, acrescenta que a fraqueza glútea também compromete a confiança ao se movimentar, o que, por si só, já aumenta o risco de quedas entre idosos — mesmo antes de qualquer desequilíbrio físico ocorrer.
No Mato Grosso do Sul, onde o clima quente favorece a prática de atividades físicas ao ar livre durante boa parte do ano, incorporar exercícios para glúteos na rotina é uma estratégia acessível e de baixo custo. Academias ao ar livre instaladas em parques de Campo Grande e em praças de municípios do interior oferecem equipamentos que permitem trabalhar esse grupo muscular sem mensalidade. Com o crescimento da população idosa no estado — tendência nacional apontada pelo IBGE para as próximas décadas — a prevenção de quedas e a manutenção da autonomia dos mais velhos se tornam prioridades de saúde pública cada vez mais urgentes. Médicos, fisioterapeutas e educadores físicos reforçam que nunca é tarde para começar: mesmo quem está na terceira idade responde bem ao treinamento de força quando orientado de forma adequada.
Fontes: TOURO UNIVERSITY, UNIVERSIDADE DO TEXAS, ESCOLA DE GERONTOLOGIA LEONARD DAVIS