Mato Grosso do Sul destinou mais de R$ 2,95 bilhões em ações e serviços públicos de saúde ao longo de 2025, segundo dados do RDQA (Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior). Desse total, R$ 2,39 bilhões vieram de recursos próprios do Estado — o que representa 12,26% da receita estadual, percentual superior ao mínimo constitucional obrigatório. O desempenho coloca o estado entre os que cumprem e superam o compromisso legal com o financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde).
O modelo adotado no Brasil para financiar o SUS é chamado de gestão tripartite: a responsabilidade pelo custeio é dividida entre União, estados e municípios. Cada ente contribui com uma parcela do orçamento e assume funções específicas dentro da rede. Na prática, o repasse acontece principalmente pelo mecanismo fundo a fundo — o dinheiro sai do Fundo Nacional de Saúde, é transferido ao Fundo Estadual de Saúde e, de lá, segue para os fundos municipais. Essa estrutura permite rastrear a aplicação dos recursos e garante que o financiamento chegue diretamente aos serviços prestados à população, sem necessidade de convênios burocráticos a cada repasse.
Os bilhões investidos cobrem uma ampla cadeia de serviços e estruturas. Entre os itens financiados estão:
O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, destaca que o financiamento só cumpre seu papel quando os efeitos são sentidos no atendimento direto ao cidadão. "O financiamento da saúde é compartilhado, mas ele só se concretiza de fato quando chega na ponta, no atendimento à população. Por isso, é fundamental essa articulação entre União, Estado e municípios, garantindo que os recursos sejam aplicados de forma eficiente e cheguem onde as pessoas mais precisam", afirmou o secretário.
A Constituição Federal estabelece que estados devem aplicar ao menos 12% da receita líquida em saúde. Ao destinar 12,26% com recursos próprios, Mato Grosso do Sul supera esse patamar — mesmo sem considerar os repasses federais que complementam o montante total. Para os 79 municípios sul-mato-grossenses, esse desempenho estadual é relevante: a coordenação da rede regional de saúde feita pelo Estado garante apoio técnico e financeiro, especialmente aos municípios menores, que dependem dessa articulação para manter serviços de média e alta complexidade acessíveis à população local. "O Estado tem atuado de forma contínua para fortalecer a assistência e apoiar os municípios em todas as regiões", reforçou o secretário Maurício Simões.
No contexto do Centro-Oeste, onde a extensão territorial é um desafio logístico permanente para a entrega de serviços públicos, o modelo tripartite com repasse fundo a fundo tem se mostrado a principal ferramenta para descentralizar o atendimento e garantir que comunidades distantes dos grandes centros — como as da região do Pantanal, da fronteira e do Cone Sul — tenham acesso ao SUS de forma contínua e estruturada.
Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL, GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL