IBGE: 4 em cada 10 meninas se sentiu triste quase sempre em 2024

Pesquisa nacional com 12 milhões de adolescentes expõe crise de saúde mental entre jovens do sexo feminino e aponta caminhos para famílias e escolas

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Enquanto os debates sobre saúde mental juvenil ganham força nas escolas e redes sociais, os dados mais recentes do IBGE chegam para confirmar o que muitos educadores e pais já suspeitavam: as adolescentes brasileiras estão em sofrimento. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta semana, revela que 4 em cada 10 meninas relataram sentir tristeza com frequência — um índice que praticamente dobra o registrado entre meninos da mesma faixa etária.

O levantamento ouviu mais de 12 milhões de estudantes do ensino fundamental e médio em todo o Brasil e trouxe à tona uma disparidade de gênero preocupante. Entre as meninas de 13 a 17 anos, 39,2% afirmaram ter se sentido tão tristes ou desesperançosas a ponto de parar de realizar atividades habituais, contra 21,4% dos meninos. A insatisfação com a própria imagem corporal também aparece como sinal de alerta: quase metade das jovens entrevistadas declarou se sentir gorda, ainda que índices de saúde não confirmem tal percepção.

Especialistas apontam que a pressão estética amplificada pelas redes sociais é um dos principais fatores por trás desse quadro. "As meninas são expostas a padrões visuais irreais desde muito cedo e passam a medir seu valor pessoal por critérios físicos. Isso tem impacto direto na autoestima e na saúde emocional", explica a psicóloga Fernanda Lira, que atua com adolescentes em São Paulo. Para ela, a escola precisa ser um espaço de acolhimento e não apenas de transmissão de conteúdo.

O que as famílias podem fazer? Segundo os pesquisadores do IBGE, o diálogo aberto em casa é um dos fatores de proteção mais eficazes. Criar um ambiente onde a adolescente se sinta segura para falar sobre angústias — sem julgamentos — pode reduzir significativamente o risco de agravamento dos sintomas. Além disso, limitar o tempo de exposição a conteúdos que reforcem padrões físicos inatingíveis e incentivar atividades que promovam autoconhecimento são medidas simples, mas com grande impacto comprovado.

No âmbito escolar, a pesquisa reforça a necessidade de programas estruturados de educação socioemocional. Países como Portugal e Finlândia já incluem no currículo básico habilidades como regulação emocional, empatia e resolução de conflitos — e os resultados em bem-estar juvenil são expressivos. No Brasil, iniciativas pontuais existem, mas ainda estão longe de alcançar a escala necessária para fazer diferença nos números do próximo levantamento.

A PeNSE 2024 serve como um retrato honesto e urgente da geração que está crescendo agora. Ignorar seus alertas seria um erro que pagaríamos caro nas próximas décadas — em produtividade, em saúde pública e, acima de tudo, em vidas desperdiçadas por falta de atenção no momento certo.

Com informações de IBGE/G1