UEMS busca voluntários para ensinar português a migrantes em 4 cidades de MS

Programa da universidade estadual já atendeu mais de 5 mil estrangeiros desde 2017 e agora precisa de reforço em Dourados, Ponta Porã, Corumbá e Nova Andradina.

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A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) abriu inscrições para voluntários dispostos a ensinar português a migrantes internacionais que vivem no estado. A iniciativa faz parte do programa UEMS Acolhe e atende refugiados, apátridas e estrangeiros em situação de vulnerabilidade em oito municípios sul-mato-grossenses — mas a necessidade urgente de novos colaboradores está concentrada em Dourados, Ponta Porã, Corumbá e Nova Andradina.

O programa existe desde 2017 e acumula um histórico expressivo: mais de 5 mil migrantes já foram atendidos entre cursos de português, oficinas de integração e ações de apoio humanitário. Só em 2025, foram 237 voluntários atuantes e 575 alunos concluintes distribuídos pelas cidades contempladas. O fôlego do projeto, no entanto, depende diretamente da adesão da comunidade — e é por isso que a universidade retorna ao processo seletivo de voluntários agora.

Quem pode se inscrever e como funciona a capacitação

Ao contrário do que se poderia imaginar, não é preciso ter graduação em Letras ou formação pedagógica específica para participar. A atuação é completamente voluntária e o único requisito prático é disponibilidade e comprometimento. Todos os selecionados passarão por uma capacitação on-line obrigatória com conteúdos teóricos e práticos antes de assumirem as aulas. O certificado de participação fica condicionado ao cumprimento de pelo menos 75% de frequência nas atividades do curso.

A diversidade já é uma marca da equipe: o programa conta com colaboradores de áreas como Letras, Pedagogia, Enfermagem, Direito, Administração, Economia, Medicina Veterinária, Turismo, Geografia e História. Isso reflete a proposta ampla do módulo Português como Língua de Acolhimento (PLAc), que vai além do ensino do idioma e inclui mediação cultural e suporte comunitário. A carga horária total do módulo é de 60 horas-aula.

Além da sala de aula: regularização e direitos

O UEMS Acolhe não se limita ao ensino do idioma. Em 2024, o programa passou a integrar um eixo de apoio à regularização migratória, orientando os participantes sobre como solicitar e renovar o Registro Nacional Migratório (RNM) junto à Polícia Federal, além do Cadastro de Pessoa Física (CPF) perante a Receita Federal. O objetivo é reduzir as barreiras linguísticas e documentais que impedem muitos estrangeiros de acessar serviços básicos no país.

A abrangência do programa também ultrapassa as fronteiras estaduais: parte das ações é realizada em parceria com comunidades na Bolívia, reforçando o papel de Mato Grosso do Sul como estado de fronteira com forte presença de migrantes. O reconhecimento nacional veio em forma de menção em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que incluiu o UEMS Acolhe entre as boas práticas brasileiras no atendimento a pessoas refugiadas.

Por que Mato Grosso do Sul está no centro dessa história

A posição geográfica do estado — com fronteira seca com o Paraguai e a Bolívia e rotas de imigração consolidadas — coloca cidades como Corumbá e Ponta Porã entre os principais pontos de entrada de migrantes no Brasil. Dourados, por sua vez, abriga uma das maiores populações de refugiados e solicitantes de refúgio do interior do país. Ensinar português, nesse contexto, é também garantir acesso à saúde, ao trabalho e à dignidade.

Com cidades como Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina, Cassilândia, Sidrolândia, Naviraí e Corumbá no mapa do programa, o UEMS Acolhe tem potencial para alcançar praticamente todas as regiões do estado. A expansão, contudo, depende de quem se dispõe a ensinar. As inscrições para voluntários podem ser feitas diretamente pelo portal da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEC) da UEMS.

Fontes: UEMS, AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL