COP15 começa com protagonismo de MS e mobilização global pela biodiversidade
Campo Grande recebe representantes de 133 países em conferência da ONU que discute conservação de espécies migratórias, proteção de ecossistemas e cooperação internacional
Ciência, políticas públicas e inovação: Mato Grosso do Sul como referência. - Foto: Divulgação
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A partir de hoje, Campo Grande sediará a 15ª Conferência das Partes da CMS sobre Conservação de Espécies Migratórias, reunindo cerca de 2 mil representantes de 133 países para discutir a proteção de espécies migratórias e seus habitats. A cidade foi escolhida por sua conexão com a natureza, destacando-se como um exemplo de sustentabilidade. O Brasil, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou a ampliação de áreas protegidas e reafirmou seu compromisso com a proteção ambiental e a cooperação internacional. Mato Grosso do Sul se destaca com políticas que unem desenvolvimento econômico e conservação ambiental.
O voo das aves, o deslocamento silencioso de mamíferos e as longas jornadas marinhas que atravessam continentes ganham, a partir desta segunda-feira (23), um novo ponto de convergência: o debate global. Começa hoje, em Campo Grande, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS COP15), promovida pela Organização das Nações Unidas, com o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”.
Organizada pelo Governo do Brasil, a conferência reúne cerca de 2 mil representantes de 133 países, entre governos, cientistas, ambientalistas, povos indígenas, comunidades locais e integrantes da sociedade civil. O objetivo é discutir estratégias de proteção das espécies migratórias, com foco na preservação dos habitats que compõem suas rotas ao redor do planeta.
Campo Grande se destaca como cidade anfitriã e exemplo de sustentabilidadeEleita sete vezes Cidade Árvores do Mundo, Campo Grande recebe visitantes com hospitalidade e conexão com a natureza: araras cruzam o céu, capivaras dividem espaço com a rotina urbana e o tereré aproxima pessoas. A prefeita Adriane Lopes destacou o protagonismo da cidade:
“É uma honra receber um evento dessa magnitude. Isso projeta Campo Grande e a transforma em um marco histórico, não só na pauta das aves e dos animais migratórios, mas também na forma como acolhemos todos que estão aqui.”
O presidente da COP15, João Paulo Capobianco, ressaltou a importância do local:
Mato Grosso do Sul e Pantanal: protagonistas globais da conservação“É uma COP realizada em um lugar onde a natureza está entranhada no cotidiano, o que estimula ainda mais o compromisso ambiental.”
O governador Eduardo Riedel destacou o papel estratégico do Estado, com ênfase no Pantanal:
“Quando falamos da importância desse evento, estamos falando de um Estado que tem muito a contribuir para as respostas que a COP precisa dar ao planeta, especialmente em relação ao Pantanal.”
Riedel enfatizou a riqueza ambiental da região, com mais de 190 espécies migratórias e cerca de 600 espécies de aves apenas no Pantanal, e destacou a integração entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade:
Brasil reafirma liderança ambiental e criação de novas áreas protegidas“Crescer assegurando princípios de preservação é ainda mais significativo. Já estamos executando o pagamento por serviços ambientais, apoiando brigadas e ações de conservação. O Fundo Pantanal começa a operar, e o Pacto pelo Pantanal avança com melhorias em infraestrutura e educação.”
Durante o Segmento de Alto Nível da COP15, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica do Taiamã, além da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, totalizando mais de 148 mil hectares protegidos.
A ministra Marina Silva reforçou o compromisso brasileiro com a cooperação internacional:
“Precisamos conectar nações, políticas públicas, ciência e conhecimentos tradicionais para garantir que as espécies migratórias continuem seu percurso. Proteger essas rotas é preservar o futuro do planeta.”
A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, alertou para os impactos das atividades humanas sobre habitats e espécies migratórias e reforçou a necessidade de proteção global e cooperação internacional.
Ciência, políticas públicas e inovação: Mato Grosso do Sul como referênciaO Estado apresentou o Anuário Estadual de Políticas Climáticas, que reúne dados sobre governança climática, ações de mitigação e indicadores socioambientais. Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, Mato Grosso do Sul é o único estado brasileiro que cumpre todos os critérios de governança climática, consolidando políticas que combinam desenvolvimento econômico e conservação ambiental.
“O importante desse diagnóstico é que temos uma base para avaliar como as políticas públicas, por meio de indicadores, resultam efetivamente em resultados em relação à mudança climática no nosso Estado.”