Crise no Oriente Médio já encarece custo de vida em MS
Alta do petróleo pressiona diesel, frete e consumo; impacto imediato pode chegar a 5% no orçamento das famílias
Comércio aponta queda no consumo e mudança de hábitos diante da alta de preços e da incerteza econômica. - Foto: Silas Ismael / Reprodução
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A instabilidade no Oriente Médio está causando um aumento de até 5% no custo de vida em Mato Grosso do Sul, devido à alta do petróleo e ao encarecimento do transporte rodoviário. Especialistas afirmam que o aumento do diesel pressiona toda a cadeia produtiva, refletindo imediatamente na renda das famílias e alterando o comportamento do consumidor, que tende a priorizar gastos essenciais.
Consumidores relatam mudanças nas rotinas de compras e tentativas de economizar, enquanto comerciantes enfrentam dificuldades para manter preços e vendas. A crise internacional se torna evidente quando impacta diretamente o orçamento doméstico, desencadeando uma mudança no padrão de consumo.
A instabilidade no Oriente Médio já começa a impactar o custo de vida em Mato Grosso do Sul. Segundo representantes do comércio, o efeito é imediato e pode chegar a 5% de aumento nos gastos das famílias, impulsionado pela alta do petróleo e pelo encarecimento do transporte rodoviário.
Para o economista Antonio Cruz, consultor da Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL/MS), o estado tende a sentir o impacto de forma mais intensa devido à forte dependência do transporte por rodovias.
“O Oriente Médio é o sistema nervoso da energia global. Quando o petróleo dispara, o impacto no MS é matemático”, afirmou.
Segundo ele, a alta do diesel pressiona toda a cadeia produtiva:
Impacto direto no consumo“O aumento do diesel encarece o frete de toda a cadeia. O produto chega à prateleira já inflacionado.”
A presidente da FCDL/MS, Inês Santiago, destaca que o reflexo é imediato na renda das famílias:
“Falar em 5% de aumento no custo de vida significa dizer que o trabalhador perdeu, em poucos dias, o fôlego para o consumo.”
Ela reforça que o peso do diesel na economia local torna o repasse inevitável:
“Nossa economia é movida a diesel.”
Na avaliação do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL/CG), Adelaido Figueiredo, o cenário já altera o comportamento do consumidor:
“A incerteza gera retenção de gastos.”
Segundo ele, comerciantes tentam segurar preços, mesmo com margens reduzidas:
“O lojista está fazendo um esforço hercúleo para evitar que as vendas parem.”
O impacto é mais forte em setores não essenciais, como vestuário e bens duráveis, enquanto o consumidor prioriza despesas básicas.
Famílias já mudam rotinaNas ruas, consumidores relatam mudanças imediatas no dia a dia. A dona de casa Márcia Régis afirma que precisou rever compras básicas:
“O que eu gastava para o mês agora não dura vinte dias. Tive que trocar marcas.”
O motorista de aplicativo João Rufino relata queda no rendimento:
“Meu lucro despencou. Preciso trabalhar mais horas para compensar o combustível.”
Já a vendedora Flávia Silva decidiu adiar compras:
“Cancelei planos. Com mercado e contas subindo, o foco é o básico.”
Ela também demonstra cautela com crédito:
Mudança no padrão de consumo“Dá medo fazer dívida com os juros subindo.”
Com a pressão nos preços, consumidores tendem a substituir marcas mais caras, concentrar compras em comércios de bairro e adiar gastos que dependem de crédito.
Para especialistas, a crise internacional deixa de ser um tema distante quando impacta diretamente o cotidiano, elevando o preço do combustível, o custo do frete e o orçamento doméstico.