Alta do trigo pressiona padarias, mas setor tenta evitar repasse integral ao consumidor

Aumento de até 15% no preço do trigo em 2026 eleva custos de produção e desafia padarias, que buscam preservar o consumo do tradicional pão francês.

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O avanço no preço da farinha de trigo tem colocado pressão sobre as padarias brasileiras ao longo de 2026. Com reajustes considerados acima da média histórica, empresários do setor vêm absorvendo parte dos custos para evitar que o impacto chegue integralmente ao bolso do consumidor, especialmente no caso do pão francês, um dos itens mais consumidos pelos brasileiros.

De acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o preço do trigo acumulou alta entre 12% e 15% neste ano, percentual significativamente superior aos reajustes observados em períodos considerados normais, quando os aumentos costumam ficar em torno de 5%.

Pão francês está entre os mais afetados

O tradicional pão de sal, conhecido em várias regiões do país como pão francês, é um dos produtos mais impactados pela valorização da matéria-prima. Isso ocorre porque a farinha responde por aproximadamente 70% da receita utilizada na fabricação do produto, tornando-o particularmente sensível às oscilações do mercado de grãos.

Além da farinha, outros custos também influenciam a formação do preço final, como energia elétrica, combustíveis, embalagens e mão de obra, aumentando a pressão sobre os estabelecimentos.

Setor tenta evitar aumento maior

Nas padarias, a farinha de trigo representa entre 20% e 30% dos custos operacionais, dependendo do perfil de produção de cada empresa. Mesmo diante desse cenário, muitos empresários optam por limitar os reajustes para não comprometer as vendas.

Segundo o presidente da Abip, Alex Martins, o pão francês continua sendo um produto essencial para o consumidor e, por isso, as empresas buscam absorver parte das altas.

“O pão francês é um produto popular. Se for repassar tudo, a gente perde cliente. O cliente geralmente está trocando um produto mais caro por outro produto mais barato, e a gente tem visto uma evolução na venda do pão francês”, afirmou o dirigente em entrevista à CNN Brasil.

Consumidor busca alternativas mais econômicas

O comportamento do consumidor também tem influenciado a estratégia das padarias. Com a inflação afetando diferentes categorias de alimentos, muitas famílias passaram a priorizar produtos de menor valor agregado.

Nesse contexto, o pão francês tem ganhado espaço como alternativa mais acessível em comparação a produtos de confeitaria, pães especiais e itens de valor mais elevado.

O movimento ajuda a sustentar o volume de vendas do setor, mesmo em um momento de aumento dos custos de produção.

Mercado acompanha cenário internacional

O preço do trigo é fortemente influenciado pelo mercado internacional, já que o Brasil ainda depende de importações para complementar o abastecimento interno. Questões climáticas, oferta global, custos logísticos e oscilações cambiais afetam diretamente o valor pago pelos moinhos e, consequentemente, pelas padarias.

Especialistas avaliam que a trajetória dos preços dependerá da próxima safra global e do comportamento do dólar, fatores que continuarão sendo monitorados pelo setor nos próximos meses.

Desafio para o setor

Mesmo diante das dificuldades, a panificação segue entre os segmentos mais relevantes da indústria alimentícia brasileira. O principal desafio das empresas é encontrar equilíbrio entre a manutenção da rentabilidade e a preservação do poder de compra dos clientes.

Enquanto os custos permanecem elevados, as padarias apostam em eficiência operacional, diversificação de produtos e absorção parcial dos reajustes para evitar uma queda no consumo de um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros.