COP15 impulsiona hotéis e restaurantes

Setor projeta alta ocupação, adapta serviços e vê evento como oportunidade para atrair grandes negócios

Por -Gabriela Porto

Hotéis de luxo já atingem 90% de ocupação e rede de serviços amplia atendimento para público internacional. - (Foto: Prefeitura/Divulgação)

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A COP15, que ocorrerá em Campo Grande na próxima semana, promete aumentar a ocupação hoteleira e movimentar o setor de alimentação, testando a capacidade da cidade para eventos internacionais. A demanda por hotéis, especialmente de categoria superior, já é alta, e os restaurantes estão se adaptando para atender ao público estrangeiro. Apesar dos desafios na infraestrutura, como a falta de um centro de convenções, o evento pode deixar um legado de melhorias e visibilidade para o turismo local. Empresários veem essa oportunidade como um termômetro para o futuro do turismo de negócios na região.

A realização da COP15 na próxima semana, em Campo Grande, deve elevar a ocupação da rede hoteleira, movimentar bares e restaurantes e colocar à prova a capacidade da Capital para receber um evento internacional de grande porte.

A expectativa é de chegada de visitantes de diversos países, o que levou o setor de hospedagem e alimentação a reforçar serviços, ampliar horários e adaptar o atendimento ao público estrangeiro. Para empresários, o momento funciona como um teste estratégico para o futuro do turismo local.

Alta na ocupação e adaptação do setor

Presidente do Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação de Mato Grosso do Sul (Sindha/MS), Juliano Wertheimer afirma que a procura já é significativa, principalmente nos hotéis de categoria superior.

“Os hotéis de cinco estrelas já estão com cerca de 90% de ocupação”, destacou.

Nos empreendimentos de três estrelas, a reação ainda é mais gradual, embora a busca por reservas tenha crescido ao longo da semana.

Como parte da preparação, o setor desenvolveu, em parceria com entidades empresariais, um guia online bilíngue (português, inglês e espanhol), com informações sobre hospedagem, gastronomia e atrativos turísticos, incluindo valores em real e dólar.

Restaurantes ampliam atendimento

Na área de alimentação, a expectativa também é de aumento no movimento, mesmo sem grande volume de reservas antecipadas. Restaurantes já começaram a adaptar cardápios para outros idiomas e devem ampliar o horário de funcionamento durante o evento.

“Muitos restaurantes vão abrir no almoço e seguir até o jantar. Outros que não funcionavam à noite passarão a abrir”, explicou Wertheimer.

A preparação para a conferência começou há mais de um ano, com ações de qualificação profissional e visitas técnicas. Empresários participaram de treinamentos em áreas como governança, arrumação, lavanderia e padronização de serviços.

Desafios estruturais e oportunidades

Apesar do impacto positivo, Wertheimer avalia que a COP15, isoladamente, não muda o perfil turístico da cidade, mas pode evidenciar desafios e orientar investimentos. Entre os principais pontos estão a falta de um centro de convenções de grande porte, estacionamento adequado e estrutura para eventos com grande público.

“Hoje, se quiser fazer um evento de 10 mil pessoas em ambiente climatizado, não há espaço”, afirmou.

Ele defende a criação de um centro de convenções capaz de ampliar o turismo de negócios e atrair eventos nacionais atualmente realizados em capitais como Brasília, Goiânia e Cuiabá.

Expansão e legado para o turismo

Campo Grande possui atualmente cerca de 10,5 mil leitos e deve alcançar 77 hotéis até o fim do ano. Para o setor, a ampliação da estrutura de eventos pode impulsionar outros segmentos do turismo, incentivando visitantes a prolongar a estadia e conhecer destinos de lazer no estado.

A COP15 pode deixar como legado não apenas maior visibilidade internacional, mas também melhorias na rede hoteleira, requalificação de serviços e avanços no debate sobre infraestrutura para grandes eventos.

Para os empresários, o evento representa mais do que um pico momentâneo: é um marco para avaliar o potencial da cidade no cenário do turismo de negócios.