Hospital de Três Lagoas realiza 1ª cirurgia cerebral para Parkinson pelo SUS

Procedimento inédito em MS pode reduzir em até 80% uso de medicamentos

Por -Gabriela Porto
Hospital de Três Lagoas realiza 1ª cirurgia cerebral para Parkinson pelo SUS
Hospital Regional de Três Lagoas realiza 1ª cirurgia cerebral pelo SUS para tratar Parkinson em MS. - Foto: HR3L
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O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, realizou a primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda pelo SUS em Mato Grosso do Sul para tratar a Doença de Parkinson. O procedimento foi feito em parceria com o Instituto Acqua e tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo a dependência de medicamentos. O paciente, Gilberto Barbieri, de 58 anos, enfrentava limitações motoras há 15 anos e, após a cirurgia, espera retomar a autonomia. Este avanço é visto como um marco para a saúde pública no estado.

O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, realizou a primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda pelo Sistema Único de Saúde em Mato Grosso do Sul para tratamento da Doença de Parkinson.

O procedimento inédito na rede pública estadual representa um avanço no acesso a tratamentos de alta complexidade e foi realizado em parceria com o Instituto Acqua e a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul.

O paciente, Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina, convive com a doença há cerca de 15 anos. Ele enfrentava limitações motoras e dependia de medicação contínua para controle dos sintomas.

Como funciona o procedimento

A técnica utilizada consiste no implante de eletrodos em regiões profundas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. Os dispositivos enviam impulsos elétricos que ajudam a regular a atividade cerebral.

Segundo o neurocirurgião Eduardo Cintra Abib, responsável pela cirurgia, os eletrodos são posicionados no núcleo subtalâmico, com o paciente acordado durante o procedimento para avaliação em tempo real dos efeitos.

“Colocamos um eletrodo de cada lado do cérebro, pois cada hemisfério controla o lado oposto do corpo. Durante a cirurgia, conseguimos testar os movimentos e identificar o ponto exato de estimulação que melhora sintomas como tremor e rigidez”, explicou.

Após o implante, os eletrodos são conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo, instalado na região do peito, responsável por enviar estímulos elétricos contínuos.

O especialista destaca que a cirurgia é indicada para casos específicos, geralmente quando os medicamentos já não apresentam o mesmo efeito. Nesses casos, a técnica pode reduzir em até 80% a necessidade de remédios, além de melhorar significativamente a qualidade de vida.

Recuperação e expectativa

O procedimento foi realizado no dia 5 de março. Após um dia na UTI e mais dois em observação, o paciente recebeu alta no dia 8.

Nas próximas semanas, ele retornará ao hospital para a fase de programação do dispositivo, quando serão feitos os ajustes personalizados da estimulação.

Para Gilberto, a cirurgia representa a possibilidade de retomar a autonomia.

“Quero poder fazer coisas simples sem depender tanto dos remédios, sem tremores ou paralisia”, afirmou.

Marco para o SUS

Para o diretor técnico do Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, Marllon Nunes, a realização do procedimento representa um avanço importante para a saúde pública do estado.

“Este procedimento representa um avanço para o SUS em Mato Grosso do Sul. Oferecer uma cirurgia de alta complexidade como a estimulação cerebral profunda demonstra a capacidade técnica do hospital e reforça seu papel como referência regional e estadual em assistência especializada, ampliando o acesso da população a tratamentos inovadores”, destacou.


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