MP investiga fila de até 3 anos para exame do trato urinário em Campo Grande

Mais de 1,3 mil pacientes aguardam avaliação urodinâmica na rede pública da Capital

Por -Gabriela Porto
MP investiga fila de até 3 anos para exame do trato urinário em Campo Grande
Fachada do Hospital da Santa Casa em Campo Grande, MS. - Foto: Divulgação
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga a longa fila de 35 meses para exames do trato urinário em Campo Grande, onde 1.393 pacientes aguardam avaliação. O inquérito visa apurar as causas da demora e a capacidade do sistema de saúde para atender à demanda, já que a quantidade de exames realizados está abaixo do necessário. Quatro hospitais realizam o procedimento, mas há discrepâncias entre a produção contratada e a execução. A investigação também envolve as Secretarias de Saúde municipal e estadual, visando esclarecer a situação e encontrar soluções para reduzir a fila de espera.

A fila para exame do trato urinário em Campo Grande passou a ser investigada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul após atingir um tempo médio de espera de 35 meses. Atualmente, 1.393 pacientes aguardam por triagem e avaliação urodinâmica na rede pública da Capital.

O procedimento é considerado essencial para diagnóstico de alterações urinárias e neurológicas. A demora no acesso ao exame levou a 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública a instaurar um inquérito civil para apurar as causas do atraso e a capacidade do sistema de saúde em atender à demanda existente.

Apuração do Ministério Público

De acordo com os dados reunidos pelo MP, relatórios enviados ao órgão indicam que a quantidade de exames realizados nos últimos seis meses ficou muito abaixo do necessário para reduzir a fila. O descompasso entre a demanda de pacientes e a oferta do serviço é um dos principais pontos analisados na investigação.

A avaliação urodinâmica examina o funcionamento da bexiga e do trato urinário inferior e pode identificar problemas como incontinência urinária, obstruções e alterações neurológicas. Em muitos casos, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar agravamento do quadro clínico.

Outro ponto observado pela Promotoria é a diferença entre a produção prevista em contrato e a quantidade de exames efetivamente realizados pelos prestadores habilitados. O Ministério Público também busca entender como funciona o fluxo de regulação e quais critérios são utilizados para priorizar pacientes.

Hospitais habilitados para o exame

Atualmente, quatro unidades hospitalares realizam o procedimento na Capital: a Santa Casa de Campo Grande, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, o Hospital de Câncer Alfredo Abrão e o Hospital São Julião.

Essas instituições deverão informar ao Ministério Público qual é a capacidade mensal de atendimento, quantos exames têm sido realizados e quais limitações estruturais podem estar dificultando a ampliação do serviço.

Investigação também envolve gestores

A investigação também inclui a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, responsável por apresentar dados atualizados sobre a fila de espera, tempo médio para realização do exame e cumprimento das metas previstas em contrato.

Já a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul deverá se manifestar sobre a organização da assistência e possíveis pactuações para ampliar o atendimento dentro da Comissão Intergestores Bipartite.

O inquérito segue sob acesso restrito por conter dados sensíveis de pacientes. Mesmo assim, a investigação aumenta a pressão sobre gestores e prestadores de serviço para esclarecer as causas da demora e apresentar medidas concretas que reduzam a fila de mais de mil pessoas que aguardam atendimento em Campo Grande.


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