Campo Grande implementa um equipamento de raio-X com inteligência artificial para diagnosticar doenças respiratórias, especialmente entre portadores de HIV/AIDS, como parte do Projeto A Hora é Agora.
O aparelho portátil e leve ajudará no rastreamento da tuberculose e outras doenças respiratórias, proporcionando diagnósticos rápidos, com apoio à decisão clínica, enquanto o diagnóstico final permanece sob responsabilidade médica.
A tecnologia foi desenvolvida através de uma parceria com instituições de saúde e contribui para melhorar a resposta e o cuidado na saúde pública.
Campo Grande passa a contar com um equipamento de raio-X equipado com inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico precoce de doenças respiratórias, especialmente entre pessoas que vivem com HIV/AIDS.
A tecnologia integra o Projeto A Hora é Agora e será disponibilizada prioritariamente ao Centro Especializado em Doenças Infectoparasitárias e ao Centro de Testagem e Aconselhamento.
Para garantir a implantação da ferramenta, profissionais das equipes assistenciais e de gestão participaram de treinamento voltado ao manuseio do equipamento, interpretação dos resultados gerados pela inteligência artificial e integração do sistema ao fluxo de atendimento dos serviços.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Brandão Vilela, a incorporação da tecnologia representa um avanço na modernização da rede municipal.
“A tecnologia alia mobilidade e inteligência artificial para tornar o diagnóstico mais rápido e preciso, fortalecendo a rede municipal de saúde”, afirmou.
Um dos principais diferenciais do equipamento é a mobilidade. De acordo com o especialista do sistema da Fujifilm, Fernando Operman, o aparelho pesa apenas 3,5 quilos, pode ser montado em praticamente qualquer espaço e suporta pacientes de até 300 quilos.
O sistema conta ainda com tecnologia de grade virtual que auxilia na interpretação das imagens e no apoio ao diagnóstico.
Embora o foco principal seja o rastreamento da tuberculose, a ferramenta também contribui para identificar outras doenças respiratórias.
“Após adquirir a imagem e com poucos comandos, o sistema analisa o exame. O forte dele é sugerir diagnóstico de tuberculose, mas também ajuda na detecção de mais de dez patologias, com precisão entre 97% e 99% para achados comuns em exames de tórax”, explicou Operman.
A gerente da Rede de Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, Andreia Silva, destacou que a tecnologia será utilizada como suporte à análise médica.
“O objetivo principal seria o rastreamento da tuberculose com essa nova tecnologia, oportunizando tempo de resposta mais rápido para a tomada de decisão clínica. O diagnóstico final é sempre realizado pelo profissional médico”, explicou.
A ferramenta integra a estratégia chamada Radiografia Rápida com Inteligência Artificial (RAIA), que combina um aparelho de raio-X ultraportátil com um software de Detecção Assistida por Computador (CAD). O sistema permite realizar o exame próximo ao paciente, com interpretação inicial praticamente imediata.
Para o médico infectologista do Centros de Controle e Prevenção de Doenças, Filipe Perine, a adoção do equipamento deve contribuir para reduzir o tempo entre a realização do exame e o início do tratamento.
“Com a nova tecnologia, a expectativa é fortalecer o cuidado integral às pessoas vivendo com HIV/Aids e ampliar a capacidade de rastreamento precoce da tuberculose, que é uma das principais causas de morte nesse grupo”, ressaltou.
O Projeto A Hora é Agora foi lançado em 2014 e busca ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico e cuidado em relação ao HIV e à tuberculose.
A iniciativa é resultado de cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz, por meio da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, com financiamento do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Alívio da AIDS.