Preços da indústria sobem 0,34% em 2026, puxados pela metalurgia

Alta foi influenciada pelo aumento dos metais não ferrosos, enquanto alimentos, setor de maior peso no índice, registraram queda

Por -Gabriela Porto

Dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP) divulgado pelo IBGE. - Foto: Divulgação

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Em janeiro de 2026, os preços da indústria nacional subiram 0,34% em relação a dezembro de 2025, após dez quedas mensais consecutivas, mas ainda acumulam uma queda de 4,33% nos últimos 12 meses. A metalurgia foi o principal setor a contribuir para essa alta, com um aumento de 2,73%, principalmente devido à valorização dos metais não ferrosos. No entanto, o setor de alimentos, que representa cerca de 24% do IPP, apresentou um recuo de 0,17%, com uma retração acumulada de 9,84% em 12 meses, impulsionada por uma oferta global abundante e valorização do real frente ao dólar. Apesar da recuperação pontual de preços, o desempenho é desigual entre os setores, com muitos ainda enfrentando quedas anuais.

Os preços da indústria nacional registraram alta de 0,34% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025, quando o avanço havia sido de 0,14%. Apesar da elevação mensal, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) ainda acumula queda de 4,33% nos últimos 12 meses.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e medem os preços dos produtos na chamada “porta de fábrica”, sem considerar impostos e fretes.

O resultado de janeiro representa o segundo aumento consecutivo do indicador após uma sequência de dez quedas mensais entre fevereiro e novembro de 2025. Ainda assim, o cenário de médio prazo segue pressionado, com deflação no acumulado anual.

Entre as 24 atividades industriais investigadas pelo levantamento, 15 apresentaram aumento de preços em relação ao mês anterior. Em dezembro, 14 setores haviam registrado elevação.

As maiores variações positivas foram observadas em metalurgia, com alta de 2,73%, impressão, também com 2,73%, outros produtos químicos, com 1,70%, e perfumaria, sabões e produtos de limpeza, com 1,67%.

Segundo o gerente do IPP no IBGE, Murilo Alvim, a metalurgia teve o maior impacto no resultado mensal.

“O setor de metalurgia foi o que apresentou a maior variação e a maior influência no indicador mensal do IPP, com alta de 2,73%. Assim como no mês anterior, essa elevação foi puxada principalmente pelo aumento dos preços dos metais não ferrosos, com destaque para derivados do ouro e do cobre”, explicou.

O aumento das cotações internacionais ajudou a impulsionar os preços desses metais. O ouro foi favorecido pela maior demanda global pelo ativo, enquanto o cobre sofreu pressão de um cenário de déficit de oferta e baixos estoques.

A metalurgia respondeu sozinha por 0,18 ponto percentual da variação total de 0,34% da indústria. Outros produtos químicos contribuíram com 0,13 ponto percentual, enquanto o refino de petróleo e biocombustíveis exerceu influência negativa de -0,07 ponto percentual.

No setor químico, a alta foi associada principalmente ao aumento dos preços de fertilizantes, reflexo do encarecimento de insumos importados, especialmente derivados de enxofre.

Alimentos não se destacam no resultado mensal

Apesar de ser o setor de maior peso no IPP, representando cerca de 24% da pesquisa, a indústria de alimentos não teve destaque no resultado mensal. Os preços recuaram 0,17% na passagem de dezembro para janeiro.

Foi a nona queda mensal consecutiva do setor, que acumula retração de 9,84% em 12 meses e aparece como a principal influência negativa no resultado anual do indicador.

Segundo o IBGE, o principal destaque nas quedas acumuladas está no grupo de açúcares, que registra recuo de 28,30% no período. O movimento acompanha a queda das cotações internacionais, resultado de uma oferta global abundante e elevada produtividade.

A valorização do real frente ao dólar também contribuiu para a redução dos preços, já que a moeda norte-americana acumulou queda de cerca de 11,3% no período analisado.

Câmbio e fatores externos

Embora a taxa de câmbio costume ter influência relevante nos resultados do IPP, o movimento recente do dólar não explica sozinho a alta de janeiro.

Entre dezembro e janeiro, a moeda norte-americana recuou cerca de 2,1% frente ao real. Mesmo assim, os preços da indústria subiram, indicando que outros fatores, como a dinâmica de oferta e demanda em mercados internacionais de commodities, tiveram peso maior na formação dos preços.

Análise por grandes categorias econômicas

Pela perspectiva das grandes categorias econômicas, os bens intermediários foram o principal motor da alta mensal da indústria em janeiro.

Os preços desse grupo avançaram 0,54% e responderam por 0,29 ponto percentual da variação total do índice. O segmento tem peso de aproximadamente 53,7% na composição do IPP.

Os bens de consumo registraram alta de 0,26%, enquanto os bens de capital apresentaram queda de 0,70%.

Dentro do grupo de consumo, os bens duráveis tiveram variação de 0,22%, e os bens semiduráveis e não duráveis registraram aumento de 0,27%.

No acumulado de 12 meses, no entanto, o cenário ainda é de retração para a maior parte das categorias. Os bens intermediários apresentam queda de 6,60%, os bens de consumo recuam 1,73% e os bens de capital registram leve retração de 0,63%.

Os números indicam que, embora a indústria tenha iniciado 2026 com recuperação pontual de preços, o desempenho segue heterogêneo entre os setores. Segmentos como metalurgia e químicos voltaram a registrar altas, enquanto alimentos, extrativas e refino ainda pressionam o resultado acumulado do indicador.