A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã gera preocupação na indústria brasileira de celulose, que monitora o impacto no transporte marítimo, especialmente devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Embora as rotas não sejam diretamente afetadas, o aumento dos custos de frete e a necessidade de trajetos alternativos podem impactar a competitividade. O setor deve manter atenção aos custos logísticos e flutuações nos preços, essenciais para garantir entregas pontuais e evitar perdas financeiras, em um cenário internacional instável.
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã passou a integrar o radar da indústria brasileira de celulose. Embora as exportações do país não sejam diretamente afetadas em termos de rota, o setor observa com atenção os desdobramentos sobre o transporte marítimo, especialmente diante do fechamento parcial do Estreito de Ormuz.
A celulose é uma das principais commodities exportadas pelo Brasil e depende de cadeias logísticas globais eficientes para atender mercados na Europa e na Ásia. A rota mais rápida e, consequentemente, mais barata entre os mercados asiáticos e europeus pode sofrer restrições, o que tende a exigir trajetos alternativos mais longos, aumentando tempo de viagem e custos de frete.
Mesmo em um contexto de demanda internacional mais fraca devido à incerteza econômica, a indústria monitora de perto os efeitos do conflito. O histórico recente reforça a cautela: em 2021, quando o navio Ever Given ficou encalhado por seis dias no Canal de Suez, houve desorganização logística e posterior alta nos preços de celulose e papel.
No caso brasileiro, as exportações destinadas à Europa seguem pelo Estreito de Gibraltar, no Mediterrâneo, enquanto os embarques para a Ásia utilizam majoritariamente a rota pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África. Por isso, até o momento, não há alteração direta nos trajetos adotados pelas empresas nacionais, mas os custos logísticos já estão no foco das análises.
O analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, destaca que o principal impacto inicial do conflito tende a ser o aumento dos custos com transporte.
“Temos visto o preço do frete subir, tanto para contratar navios quanto com o custo da parte variável do transporte que é o ‘bunker’ [combustível de navegação]”, explicou.
Para Sasson, ainda é cedo para dimensionar outros reflexos no setor, mas a situação deve ser acompanhada de perto.
“É uma conta que se torna relevante caso essa situação se prolongue”, concluiu, ressaltando a necessidade de planejamento logístico estratégico diante de instabilidades geopolíticas.
Embora as rotas atuais do Brasil não sofram bloqueios diretos, a tensão no Oriente Médio reforça a importância de gestão eficiente da logística e atenção às flutuações nos preços do frete. Empresas do setor destacam que manter a competitividade exige monitoramento constante das rotas internacionais, planejamento de estoques e flexibilidade para utilizar trajetos alternativos, garantindo entregas pontuais e evitando perdas financeiras.
Além disso, o cenário internacional influencia negociações e contratos de longo prazo, principalmente com clientes asiáticos e europeus, que buscam segurança e previsibilidade no fornecimento de celulose. A combinação de fatores, rotas, custos de frete e estabilidade geopolítica, será determinante para a performance do setor nos próximos meses.
Apesar da tensão, as empresas reforçam que o Brasil mantém vantagens competitivas importantes.
“Temos rotas consolidadas e uma logística preparada para ajustes, mas não podemos ignorar que o cenário externo pode impactar custos e competitividade”, afirmou um porta-voz da indústria.
A atenção ao transporte marítimo, aos custos com combustível e à possibilidade de trajetos mais longos é estratégica para proteger margens e manter o fornecimento para clientes internacionais. O setor continuará acompanhando de perto a situação no Oriente Médio, pronto para ajustar operações conforme necessário.