Telediagnóstico amplia acesso e detecta câncer de pele em MS

Serviço resolve cerca de 70% dos casos na Atenção Primária e já está presente em 28 municípios

- Gabriela Porto
02/03/2026 10h13 - Atualizado há 1 semana
Telediagnóstico amplia acesso e detecta câncer de pele em MS
Telediagnóstico em dermatologia amplia acesso e identifica casos de câncer de pele em MS. - Foto: SES
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Implantado em 2019, o telediagnóstico em dermatologia em Mato Grosso do Sul atende 28 municípios, permitindo que lesões de pele sejam avaliadas por especialistas sem deslocamento inicial do paciente. O serviço, parte do Sistema de Telemedicina e Telessaúde, resolve cerca de 70% dos casos na Atenção Primária, aumentando a eficiência no diagnóstico e encaminhamento, especialmente para casos de melanoma e câncer de pele.

A estrutura exige que os municípios adotem um Kit de Dermatologia e capacitem suas equipes, garantindo a qualidade do registro fotográfico das lesões. Essa iniciativa melhora o acesso a cuidados especializados, prioriza casos mais graves e impacta positivamente na qualidade de vida dos pacientes.

Implantado em 2019, o telediagnóstico em dermatologia tem fortalecido a rede pública de saúde em Mato Grosso do Sul ao permitir que lesões de pele sejam avaliadas por especialistas sem que o paciente precise, inicialmente, sair do município de origem. O serviço já está presente em 28 municípios, com 43 pontos de atendimento, e resolve cerca de 70% dos casos na Atenção Primária, sem necessidade de encaminhamento presencial.

A estratégia integra o STT, Sistema de Telemedicina e Telessaúde, e é ofertada nacionalmente pelo Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, referência no país.

Além de ampliar o acesso, a ferramenta é reconhecida pelo Ministério da Saúde como estratégia capaz de aumentar a resolutividade da Atenção Primária à Saúde, com potencial para solucionar cerca de 70% dos casos sem consulta presencial com dermatologista.

O objetivo é melhorar o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade em dermatologia, classificando o risco das lesões e organizando a fila de encaminhamentos conforme a gravidade.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que a iniciativa fortalece o SUS e garante mais resolutividade na ponta.

“Estamos falando de uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez. Isso impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”, afirma.

Como funciona o fluxo

O processo começa na Unidade Básica de Saúde, onde o médico identifica uma lesão suspeita e solicita o exame pelo STT, sendo responsável pela triagem e decisão clínica. Em seguida, é realizado o registro fotográfico da lesão, etapa considerada decisiva para a qualidade do diagnóstico, que pode ser feita por profissional capacitado ou pelo próprio médico.

As imagens e informações clínicas são enviadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, com classificação de risco e conduta indicada, é devolvido à unidade solicitante em até 72 horas.

O serviço atende tanto casos suspeitos de melanoma e câncer de pele não melanoma quanto outras dermatoses, permitindo que grande parte das situações seja resolvida na própria Atenção Primária, evitando encaminhamentos desnecessários e qualificando a fila para atendimento presencial.

A superintendente de Saúde Digital da SES, Marcia Tomasi, ressalta que o telediagnóstico organiza o fluxo assistencial.

“Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”, pontua.

Diagnóstico precoce e impacto

Desde a implantação do serviço, foram identificados casos de melanoma e câncer de pele não melanoma em diferentes macrorregiões do estado.

Melanoma

  • Centro: 5 casos, em 3 municípios
  • Pantanal: 33 casos, em 2 municípios
  • Cone Sul: 4 casos, em 2 municípios
  • Costa Leste: 13 casos, em 7 municípios

Não melanoma

  • Centro: 32 casos, em 4 municípios
  • Pantanal: 125 casos, em 2 municípios
  • Cone Sul: 42 casos, em 7 municípios
  • Costa Leste: 103 casos, em 7 municípios

Os números reforçam a importância da detecção precoce, especialmente no caso do melanoma, que apresenta maior agressividade. Ao identificar a lesão em estágio inicial e encaminhar rapidamente para confirmação e tratamento, aumentam-se significativamente as chances de cura e controle da doença.

A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, destaca que a qualidade do registro é determinante para o sucesso do serviço. “O exame só é validado quando segue rigorosamente os protocolos de imagem, identificação e consentimento do paciente. Investimos na capacitação das equipes porque quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil é a conduta clínica”, explica.

Estrutura e adesão dos municípios

Para implantar o serviço, o município deve formalizar adesão ao Telessaúde e adquirir o Kit de Dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem, como smartphone ou câmera digital, seguindo especificações técnicas mínimas de qualidade.

A habilitação exige cadastro no sistema, capacitação para realização do registro fotográfico e cumprimento dos protocolos de segurança, incluindo identificação adequada das lesões e termo de consentimento assinado pelo paciente antes do envio das imagens.

Casos graves e pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo do sistema e precisam ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência.

Tecnologia a serviço da Atenção Primária

De natureza ambulatorial, a teledermatologia fortalece a resolutividade da Atenção Primária e amplia a capacidade diagnóstica dos municípios de Mato Grosso do Sul. Ao evitar deslocamentos e filas desnecessárias, garante prioridade aos casos de maior risco e contribui diretamente para o enfrentamento do câncer de pele no estado.


FONTE: Agência de notícias de MS
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