Após safra histórica, MS aposta na indústria e no consumo para manter PIB em alta
Relatório do Banco do Brasil aponta crescimento de 1,9% do PIB de MS
Foto: Divulgação
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Em 2026, Mato Grosso do Sul deve crescer 1,9%, apesar da desaceleração em relação a 2025, com a agronegócio apresentando retração após uma safra histórica. A indústria, especialmente os setores de celulose e etanol, deve se destacar com um avanço superior a 3%, compensando a queda do campo. A ampliação da isenção do Imposto de Renda também contribuirá para aumentar a renda das famílias e o consumo, enquanto o mercado de trabalho permanece aquecido, com taxas de desemprego abaixo de 3%. O desempenho positivo nos serviços, embora moderado, e a diversidade econômica devem tornar o estado mais resiliente a choques externos.
Após um desempenho excepcional em 2025, quando a economia de Mato Grosso do Sul avançou acima da média nacional, o ritmo de crescimento deve perder fôlego em 2026. Ainda assim, o Estado deve manter trajetória positiva, sustentada principalmente pela retomada da atividade industrial e pelo impacto da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda sobre o consumo das famílias.
A projeção consta da primeira edição de 2026 da Resenha Regional do Banco do Brasil, que estima crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) sul-mato-grossense neste ano. O resultado representa desaceleração em relação ao ano anterior, mas ainda posiciona o Estado acima da média projetada para o Centro-Oeste.
Acomodação após ano fora da curvaO desempenho mais moderado reflete, sobretudo, o enfraquecimento do agronegócio após uma safra considerada histórica. Em 2025, o setor agropecuário registrou forte expansão, elevando a base de comparação e limitando o avanço esperado para o novo ciclo.
Para 2026, a agropecuária do Estado deve apresentar retração, acompanhando a tendência regional de queda na produção agrícola. Mesmo com o recuo, a contração prevista é menos intensa do que a média estimada para o Centro-Oeste, principal polo produtor de grãos do país.
Indústria assume papel de motor econômicoCom a perda de fôlego do campo, a indústria surge como principal vetor de crescimento em 2026. A expectativa é de expansão superior a 3% no setor industrial sul-mato-grossense, revertendo o desempenho negativo observado no ano anterior.
O avanço é atribuído principalmente às cadeias de celulose e etanol, segmentos que concentram investimentos de grande porte no Estado e têm ampliado sua capacidade produtiva. Esse movimento deve colocar a indústria local em ritmo superior ao da média nacional e regional.
Consumo impulsionado por mudança no IROutro fator decisivo para a economia estadual será a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com rendimentos mensais de até R$ 5 mil. A medida deve aumentar a renda disponível das famílias e estimular o consumo interno ao longo do ano.
O efeito tende a ser ainda mais significativo em Mato Grosso do Sul devido ao alto nível de formalização do mercado de trabalho. Com maior número de trabalhadores com carteira assinada, o impacto da desoneração tributária se espalha de forma mais ampla pela economia local.
Mercado de trabalho aquecidoO relatório destaca que Mato Grosso do Sul apresenta uma das menores taxas de desemprego do país, abaixo de 3%. O cenário é interpretado como próximo do pleno emprego, o que reforça a capacidade de consumo e sustenta a expansão dos setores de comércio e serviços.
A combinação entre renda mais elevada, mercado de trabalho aquecido e fortalecimento da indústria cria um ambiente de crescimento mais equilibrado, reduzindo a dependência exclusiva do desempenho agrícola.
Serviços seguem em expansãoO setor de serviços também deve contribuir para o resultado positivo do PIB estadual. A projeção indica crescimento próximo de 3% em 2026, embora em ritmo inferior ao registrado no ano anterior.
O desempenho é sustentado pelo consumo das famílias, pela atividade industrial e pelos encadeamentos produtivos do agronegócio, mesmo em um cenário de menor produção no campo.
Crescimento mais diversificadoPara os analistas, o cenário projetado para 2026 aponta uma economia menos concentrada em um único setor. A diversificação das fontes de crescimento torna o Estado mais resiliente a choques climáticos e às oscilações do mercado de commodities.
Mesmo em um ano de ajuste após a safra recorde, Mato Grosso do Sul deve manter crescimento acima da média regional, apoiado na indústria, nos serviços e no fortalecimento da renda das famílias.