Brasil mantém segundo maior juro real do planeta e segue travando crescimento econômico
Mesmo com leve recuo, taxa real de 9,23% mantém o país atrás apenas da Rússia
Rússia chegou à liderança que antes era ocupada pela Turquia; Brasil está em segundo lugar desde junho. - Foto: Divulgação.
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O Brasil continua com uma alta taxa de juros reais, fixada em 9,23%, ocupando a segunda posição entre as 40 maiores economias globais. A Rússia assumiu a liderança com uma taxa de 9,88%, enquanto a Selic permanece em 15% ao ano, a quarta mais alta em termos nominais. A incerteza fiscal e as pressões inflacionárias impedem que o Banco Central reduza os juros, mesmo com algum alívio em segmentos específicos. Internacionalmente, a cautela monetária é a norma, com a maioria dos países mantendo suas taxas inalteradas em um contexto de inflação persistente.
O Brasil voltou a figurar, pelo sétimo mês consecutivo, entre os países com os maiores juros reais do mundo. Mesmo após um leve recuo em relação ao fim de 2025, a taxa real brasileira, que desconta a inflação, permanece em 9,23%, mantendo o país na segunda colocação de um ranking que considera as 40 maiores economias globais.
O dado foi divulgado em levantamento conjunto das consultorias MoneYou e Lev Intelligence, coordenado pelo economista-chefe Jason Vieira. O cálculo leva em conta a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou por manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano.
Rússia assume liderança no rankingA principal mudança no ranking internacional foi a troca de liderança. A Rússia passou a ocupar o primeiro lugar entre os países com maior juro real, com taxa estimada em 9,88%, superando a Turquia, que havia liderado o ranking nos meses anteriores.
Apesar da mudança no topo, a posição do Brasil permaneceu inalterada. Em dezembro, o juro real brasileiro era de 9,44%, enquanto em novembro chegava a 9,74%, indicando uma desaceleração gradual, porém insuficiente para alterar o cenário de aperto monetário.
Juro nominal brasileiro segue entre os mais altosQuando a análise considera apenas os juros nominais sem o desconto da inflação, o Brasil aparece na quarta colocação global, atrás de Turquia, Argentina e Rússia. A Selic de 15% supera as taxas praticadas em economias emergentes relevantes, como Colômbia, México e África do Sul.
Segundo Vieira, mesmo que o Copom tivesse promovido um corte de até 0,5 ponto percentual na última reunião, o Brasil continuaria ocupando a segunda posição no ranking de juros reais, dada a distância em relação aos demais países.
Cenário fiscal pressiona decisões do CopomPara o economista, o principal fator por trás da manutenção dos juros elevados é o ambiente de incerteza fiscal. A trajetória de gastos públicos e as dificuldades em sinalizar equilíbrio das contas seguem pressionando as expectativas do mercado, o que limita a margem de manobra da política monetária.
Embora a inflação tenha apresentado alívio em alguns segmentos, as pressões persistem, especialmente em serviços e itens sensíveis à atividade econômica, mantendo o Banco Central em posição defensiva.
Movimento global de cautela monetáriaA análise ampliada, que considera 165 países, mostra que a maior parte das autoridades monetárias segue adotando postura cautelosa. Mais de 72% dos países mantiveram suas taxas de juros recentemente, enquanto pouco mais de 20% promoveram cortes.
Entre as 40 maiores economias do mundo, o padrão se repete: dois terços mantiveram os juros inalterados, refletindo um ambiente internacional ainda marcado por inflação resistente e riscos geopolíticos.