A parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul visa fortalecer a vigilância e o diagnóstico de doenças infecciosas e parasitárias no estado. A colaboração, iniciada em 2019, incorporou exames especializados e se intensificou durante a pandemia de covid-19, resultando em mais de 45 mil testes realizados. Com um novo acordo, a cooperação se expande para investimentos em tecnologias e métodos laboratoriais, buscando melhorar o acesso e a eficácia no diagnóstico de doenças negligenciadas. O trabalho conjunto reforça a importância da integração entre pesquisa e assistência à saúde pública.
A ampliação do diagnóstico e o fortalecimento da vigilância de doenças infecciosas e parasitárias em Mato Grosso do Sul vêm sendo impulsionados por uma cooperação contínua entre a Secretaria de Estado de Saúde e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A parceria articula gestão pública, ensino e pesquisa com o objetivo de qualificar a resposta do sistema de saúde e ampliar o acesso da população a exames especializados.
O trabalho conjunto envolve o Programa de Pós Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias e o Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFMS. As estruturas acadêmicas atuam de forma integrada à rede estadual de saúde, especialmente em situações nas quais os exames necessários ainda não fazem parte da rotina do Sistema Único de Saúde.
Integração entre pesquisa e assistência
A cooperação permite que conhecimentos científicos e tecnologias desenvolvidas no ambiente universitário sejam aplicados diretamente no atendimento à população. Para a secretária adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, a aproximação entre universidade e gestão pública representa um avanço significativo para a vigilância em saúde.
Segundo ela, a parceria contribui para ampliar o acesso a diagnósticos especializados, qualificar a identificação de doenças negligenciadas e oferecer respostas mais rápidas e eficientes diante de situações que exigem monitoramento constante. A integração entre pesquisa, inovação e assistência fortalece a capacidade do Estado em lidar com desafios epidemiológicos complexos.
Na avaliação da coordenadora do Programa de Pós Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFMS, Anamaria Paniago, a cooperação transforma a pesquisa acadêmica em benefício direto para a população. Ela destaca que muitas doenças infecciosas e parasitárias ainda carecem de exames disponíveis de forma rotineira no SUS, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
Com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde, os laboratórios da universidade contribuem para suprir essa lacuna, atendendo principalmente pacientes em situação de maior vulnerabilidade. A iniciativa, segundo a coordenadora, reforça o papel da universidade pública como agente ativo na promoção da saúde coletiva.
A parceria entre a SES e a UFMS foi formalizada em 2019, por meio de um acordo de cooperação voltado inicialmente à vigilância das micoses sistêmicas. Naquele momento, a atuação conjunta ampliou a capacidade diagnóstica do Estado ao incorporar exames desenvolvidos no próprio laboratório da universidade.
Com o avanço da pandemia de covid 19, a cooperação ganhou nova dimensão. O laboratório passou a atuar diretamente no apoio à testagem da população, integrando ações coordenadas com a rede estadual de saúde. Com apoio do Governo Federal, a equipe participou do atendimento em sistema de drive thru e realizou mais de 45 mil exames, contribuindo para o monitoramento da circulação do vírus e para a tomada de decisões sanitárias.
Atualmente, um novo acordo de cooperação amplia o escopo da parceria e prevê investimentos em tecnologias voltadas ao diagnóstico de doenças negligenciadas. O planejamento inclui o desenvolvimento de novos métodos laboratoriais e a definição de ações estratégicas para os próximos anos, com foco na vigilância contínua e no fortalecimento permanente da rede estadual de diagnóstico.
Para o biólogo e professor responsável pelo Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UFMS, James Venturini, a cooperação tem sido decisiva para ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde. Segundo ele, a atuação conjunta permitiu fortalecer a realização de exames especializados, apoiar o enfrentamento de momentos críticos e investir em inovação voltada à saúde pública.