Após as festas de fim de ano, é comum experimentar inchaço, cansaço e indisposição devido ao excesso alimentar e de álcool. Especialistas, como o médico Adriano Faustino, alertam que reações drásticas como jejuns ou treinos intensos podem ser contraproducentes. Recomenda-se retomar hábitos saudáveis, como aumentar a ingestão de proteínas e hidratação, priorizar um sono de qualidade e optar por movimentos leves, pois essas medidas ajudam a restabelecer o equilíbrio metabólico. O foco deve ser em respeitar os sinais do corpo, evitando punições físicas desnecessárias.
Após as ceias de Natal e Ano-Novo, é comum que o corpo dê sinais de sobrecarga. Inchaço abdominal, sensação de peso, cansaço e indisposição costumam aparecer depois de dias marcados por excesso de álcool, comidas mais calóricas e alterações na rotina de sono. Isoladamente, esses exageros não representam um problema grave. O risco, segundo especialistas, surge quando eles se tornam frequentes ou quando a tentativa de compensação acontece de forma radical.
Médico funcional e especialista em emagrecimento, Adriano Faustino explica que jejuns prolongados, treinos exaustivos e dietas extremamente restritivas logo após as festas podem gerar um efeito contrário ao esperado.
“O organismo humano é adaptável e consegue lidar bem com episódios pontuais de exagero. O erro está em responder a isso com punição fisiológica. A ciência mostra que correções simples — como hidratação adequada, proteína em quantidade suficiente, sono de qualidade e movimento leve — são muito mais eficazes”, afirma.
Pensando nisso, o especialista elencou três atitudes com melhor relação entre benefício e risco, baseadas em evidências científicas e possíveis de serem aplicadas à rotina logo nos primeiros dias do ano.
Proteína e hidratação ajudam a ‘reorganizar’ o corpo
Após refeições ricas em sódio, açúcar e álcool, o corpo tende a reter líquidos e apresentar maior instabilidade nos níveis de glicose. Retomar rapidamente hábitos básicos, como uma ingestão adequada de proteínas aliada à hidratação regular, contribui para reduzir o inchaço e normalizar o apetite.
Segundo Faustino, estudos publicados no American Journal of Clinical Nutrition indicam que dietas com maior teor proteico estão associadas a maior saciedade, preservação da massa magra e melhora de parâmetros cardiometabólicos.
“Na prática, isso significa incluir proteína em todas as refeições e manter uma ingestão constante de água ao longo do dia. Essa combinação ajuda a evitar o chamado ‘efeito rebote’, quando a fome aumenta e surgem beliscos fora de hora após as festas”, orienta.
Dormir bem é parte do tratamento
Um erro comum no pós-festa é focar apenas na alimentação e ignorar o impacto do sono sobre o metabolismo. Dormir pouco ou mal interfere diretamente nos hormônios que regulam a fome, a saciedade e o controle da glicose.
Pesquisas publicadas na revista The Lancet demonstram que a privação de sono está associada ao aumento do cortisol, piora da tolerância à glicose e maior desejo por alimentos ricos em carboidratos.
“No fim de ano, o sono costuma ser desregulado. Priorizar noites bem dormidas é uma das intervenções metabólicas mais importantes para recuperar o equilíbrio do corpo”, destaca o médico.
Movimento leve é melhor do que treino pesado
Embora muitas pessoas recorram a treinos intensos como forma de compensação, essa estratégia pode aumentar o estresse fisiológico quando combinada a noites mal dormidas e alimentação pesada.
Estudos em endocrinologia indicam que exercícios de alta intensidade elevam significativamente os níveis de cortisol, o que pode dificultar a recuperação metabólica no curto prazo.
“No pós-festa, caminhar, alongar, fazer exercícios de mobilidade ou apenas se expor à luz solar pela manhã costuma ser mais eficiente. Esse tipo de movimento ajuda a reduzir o inchaço, melhora a disposição e não sobrecarrega o organismo”, explica Faustino.
Equilíbrio é a chave da flexibilidade metabólica
Essas orientações estão ligadas a um conceito central da fisiologia moderna: a flexibilidade metabólica, a capacidade do corpo de alternar, de forma eficiente, o uso de carboidratos e gorduras conforme a necessidade energética.
De acordo com revisões publicadas na revista Cell Metabolism, a perda dessa flexibilidade está associada à resistência à insulina e a outras disfunções metabólicas. Em contrapartida, hábitos simples e consistentes ajudam a preservá-la.
“O objetivo não é punir o corpo pelos excessos, mas respeitar seus sinais. Cuidar da alimentação, do sono e do nível de estresse é o caminho mais seguro para retomar o equilíbrio após as festas”, conclui o médico.