Projeto em escola rural impulsiona inovação e desenvolvimento no campo em MS
Iniciativa no assentamento Itamarati integra educação, tecnologia e renda
Iniciativa em escola do assentamento Itamarati integra educação, tecnologia social e agricultura familiar para fortalecer a permanência dos jovens no meio rural. (Fotos: EE Nova Itamarati / UFGD)
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O Governo de Mato Grosso do Sul apoia um projeto na Escola Nova Itamarati, que visa profissionalizar estudantes do assentamento Itamarati e reduzir o êxodo rural entre os jovens. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a UFGD, utiliza tecnologias sociais sustentáveis para gerar emprego e renda, integradas ao currículo escolar. Com um investimento superior a R$ 1,4 milhão, o projeto busca fortalecer a agricultura familiar e incentivar a permanência no campo, promovendo educação, inovação e desenvolvimento sustentável.
Para garantir que as futuras gerações possam permanecer no campo com perspectivas de geração de emprego e renda, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul apoia um projeto de desenvolvimento voltado à profissionalização de estudantes do assentamento Itamarati, em Ponta Porã.
A iniciativa é realizada na Escola Estadual Nova Itamarati e busca criar oportunidades de permanência no meio rural por meio do uso de tecnologias sociais sustentáveis, produtivas e alinhadas às vocações da própria comunidade.
Reconhecido como o maior assentamento demarcado da América Latina, o território enfrenta um crescente processo de êxodo rural, especialmente entre os jovens que migram para outras regiões em busca de novas oportunidades.
Educação como estratégia de permanência no campo
Esse cenário evidencia o desafio de fortalecer o sentimento de pertencimento e criar condições para que a comunidade visualize caminhos possíveis de desenvolvimento e autonomia. Foi nesse contexto que surgiu o projeto de extensão desenvolvido pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), em parceria com o Governo do Estado, com foco em inovação, geração de renda e subsistência para as famílias do assentamento.
“A proposta da UFGD é levar tecnologias sociais para desenvolver novas formas de gerar renda, emprego e perspectivas de permanência dentro da comunidade. As unidades escolares são espaços de discussão, especialização e profissionalização dessas tecnologias. A Secretaria de Educação viabiliza esse processo no ambiente escolar, preparando os estudantes do assentamento, que futuramente serão os agentes multiplicadores dessas soluções”, explica Douglas Henrique Alencar, educador ambiental da SED (Secretaria de Estado de Educação).
Tecnologias sociais integradas ao currículo
Na Escola Estadual Nova Itamarati, as ações se materializam com a instalação de tecnologias sociais integradas ao currículo escolar. A proposta é que estudantes e professores discutam, experimentem e aprimorem soluções aplicáveis à realidade local, fortalecendo a relação entre teoria e prática.
“A UFGD contribui com doação de mudas, projetos de aquaponia e outras tecnologias. Um ponto importante é que os alunos passam a enxergar a universidade como algo acessível e próximo. Esse contato estimula o interesse em cursar uma faculdade, especialmente entre os estudantes do terceiro ano do ensino médio, que demonstram maior motivação para prestar vestibular e fazer o Enem”, destaca o diretor da escola, Jucélio Salmazo.
Entre as tecnologias já instaladas ou em fase de implantação estão gerador de biogás, tanques para criação de peixes, sistemas de compostagem para produção de adubo orgânico, entre outras iniciativas. A integração dessas soluções ao cotidiano escolar amplia horizontes, desperta o interesse pela inovação no campo e fortalece o desenvolvimento sustentável da comunidade.
Pesquisa, extensão e inovação no meio rural
A iniciativa integra as ações do CDR (Centro de Desenvolvimento Rural) da UFGD, que desenvolve projetos de pesquisa e extensão voltados ao fortalecimento da agricultura familiar e ao desenvolvimento sustentável. A professora Juliana Carrijo é responsável por projetos nas áreas de aquaponia, piscicultura, bioeconomia e ferramentas pedagógicas voltadas às escolas do campo.
“O projeto CDR existe há oito anos e envolve cerca de 60 professores e alunos trabalhando com diversas temáticas da agricultura familiar e da bioeconomia. Uma das principais demandas é a sucessão rural e a criação de oportunidades sustentáveis para os jovens. A partir disso, passamos a atuar diretamente nas escolas do campo”, explica Juliana.
O projeto piloto foi implantado na Escola Estadual Nova Itamarati, maior unidade escolar rural de Mato Grosso do Sul. A proposta é desenvolver e sistematizar uma metodologia para implantação de espaços coletivos voltados à educação, ciência, tecnologia e inovação no meio rural, com foco na agricultura familiar.
“As tecnologias sociais são escolhidas a partir das demandas identificadas pelos próprios professores e integradas pedagogicamente às disciplinas ministradas”, acrescenta a professora.
Investimento e articulação institucional
O convênio prevê investimento superior a R$ 1,4 milhão e conta com a atuação conjunta da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), responsável pelo suporte financeiro e técnico.
“O projeto funciona como uma vitrine tecnológica, com um espaço lúdico, interativo e replicável, que dialoga com todas as disciplinas e diferentes faixas etárias. A inovação social e as tecnologias sociais fortalecem a identidade do território e contribuem para a sucessão rural”, conclui Juliana.